No outono e inverno, as portas do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC), de Criciúma, costumam estar lotadas. Isso se dá, muito, por conta do aumento, nesse período, da circulação de vírus que atacam o sistema respiratório – mas não apenas por isso. De acordo com o diretor geral do Hospital, César Augusto Magalhães, cerca de 75% dos pacientes que passam pelo HMISC não deveriam estar lá – o que acaba causando lentidão nos atendimentos.
César explica que o HMISC é um “hospital de porta aberta” – ou seja, não pode negar atendimentos. No entanto, afirma que a grande maioria dos pacientes que lá chegam deveriam estar, na verdade, em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s), espaços voltados para atenção primária.
“Os indicadores mostram que 75% dos pacientes não deveriam estar aqui no HMISC, mas isso se tornou até uma cultura. A população vem para o hospital, porque ali ela chega, faz o exame, sai com a receita e muitas vezes já medicada. Precisamos trabalhar essa cultura para levar o paciente para a atenção primária, para que ele tenha acompanhamento de pediatra desde o seu nascimento. Esse vínculo é muito importante para a saúde do paciente”, afirmou o diretor em entrevista a Rádio Cidade em Dia.
O HMISC atende, em média, 10 mil pacientes por mês. Os números são muito maiores do que se previa quando a unidade começou a funcionar, segundo César. O diretor afirma ainda que já há conversas com outros municípios, para além de Criciúma, para criar uma solução ao problema de pacientes que deveriam estar buscando atendimento em outras unidades, e não no hospital.
“Viemos conversando com os municípios, não apenas Criciúma, mas também da região, que são os maiores clientes do hospital. Mas o futuro vai ser isso, referenciar nas portas de hospitais para que atendam em emergência. Ajudar a criar o vínculo do paciente com o médico do seu bairro”, declarou.
Reportagem original: Paulo Monteiro | Fonte: Rádio Cidade em Dia
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