Fumo dispara entre jovens no Brasil e acende alerta

Crescimento em um ano preocupa especialistas, que apontam cigarro eletrônico como principal fator de risco

Redação

Publicado em: 1 de maio de 2026

6 min.
Fumo dispara entre jovens no Brasil e acende alerta. - Foto: Canva

Fumo dispara entre jovens no Brasil e acende alerta. - Foto: Canva

O número de fumantes no Brasil voltou a crescer e acendeu um alerta para a saúde pública, especialmente entre os jovens. Dados do relatório Vigitel Brasil 2006-2024, do Ministério da Saúde, mostram que a proporção de fumantes saltou de 9,2% em 2023 para 11,5% em 2024 — um aumento superior a 2% em apenas um ano.

O avanço interrompe uma tendência de queda registrada nas últimas décadas e tem como principal fator a popularização do cigarro eletrônico, sobretudo entre o público jovem. Especialistas apontam que o produto, muitas vezes visto como menos prejudicial, pode agravar ainda mais os riscos à saúde.

Cigarro eletrônico impulsiona alta

Segundo o professor Ricardo Luiz de Melo Martins, da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), o crescimento está diretamente ligado ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar.

De acordo com o especialista, o Brasil tinha uma política considerada exemplar no combate ao tabagismo, com índices em queda. No entanto, a adesão ao cigarro eletrônico mudou esse cenário.

Martins alerta que esses dispositivos possuem alta concentração de substâncias nocivas, o que pode acelerar o desenvolvimento de doenças, principalmente entre jovens.

Impactos na saúde e no SUS

O tabagismo é classificado como uma doença crônica associada à dependência de nicotina e está ligado a diversos problemas graves de saúde. Entre eles, destaca-se o câncer de pulmão, responsável por cerca de 90% dos casos relacionados ao uso de cigarro.

Além disso, os números são alarmantes:

  • Mais de 145 mil mortes por ano no Brasil estão ligadas ao tabaco
  • Cerca de 477 mortes por dia são atribuídas ao hábito de fumar
  • 40 mil mortes são causadas por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
  • 30 mil por doenças cardíacas
  • 26 mil por câncer de pulmão
  • 20 mil por tabagismo passivo

Os custos também são elevados. Estimativas do Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária apontam que os danos provocados pelo cigarro geram um impacto de R$ 153,5 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Por que o cigarro faz tanto mal

O professor explica que o pulmão é um dos órgãos mais afetados pelo tabagismo por não ter capacidade de metabolizar substâncias tóxicas.

Ao fumar, uma pessoa inala cerca de 5.200 substâncias químicas, o que provoca inflamação crônica e aumenta significativamente o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Conversa com médicos pode reduzir número de fumantes

Apesar do cenário preocupante, especialistas destacam que medidas simples podem ajudar a conter o avanço do tabagismo.

Uma pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) revela que uma conversa de até cinco minutos com um profissional de saúde pode ser decisiva para evitar que uma pessoa comece a fumar ou até mesmo para incentivar a interrupção do hábito.

O estudo aponta que:

  • Mais de 10 milhões de pessoas passaram por consultas sem receber orientação sobre tabagismo
  • O aconselhamento poderia reduzir em até 500 mil o número de fumantes
  • A economia para o SUS poderia chegar a R$ 1 bilhão

Segundo Martins, cerca de 10% dos pacientes conseguem parar de fumar apenas com orientação médica, o que reforça a importância do acolhimento e da informação.

Tratamento está disponível no SUS

O Sistema Único de Saúde oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar. As estratégias incluem:

  • Sessões em grupo com psicoterapia cognitivo-comportamental
  • Acompanhamento profissional
  • Uso de medicamentos, quando necessário
  • Terapias de reposição de nicotina

O objetivo é reduzir a dependência e oferecer suporte contínuo ao paciente durante o processo de abandono do tabagismo.


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