Mais do que um detalhe estético, a cutícula exerce uma função essencial na proteção das unhas. Apesar disso, o hábito de removê-la ainda é comum no Brasil, especialmente entre mulheres que frequentam salões de beleza. Dermatologistas alertam que a prática pode trazer riscos à saúde, como inflamações, infecções e danos permanentes à unha.
De acordo com a dermatologista Tatiana Gabbi, coordenadora do Departamento de Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a cutícula atua como uma barreira natural contra fungos, bactérias e outros microrganismos. Quando retirada de forma excessiva ou agressiva, essa proteção é rompida.
“A remoção frequente, muitas vezes com sangramento, deixa a região vulnerável a infecções e inflamações”, explica a especialista.
Ciclo de ressecamento e fragilidade
Segundo a dermatologista Rosana Lazzarini, integrante da diretoria da SBD, a cutícula pode adquirir um aspecto esbranquiçado devido à falta de hidratação ou ao contato frequente com esmaltes. Isso leva muitas pessoas a removê-la, criando um ciclo prejudicial.
“A retirada excessiva aumenta o ressecamento e a fragilidade da região. A cutícula volta a aparecer com aspecto irregular e acaba sendo retirada novamente, o que mantém a área desprotegida”, alerta.
Além do risco de infecção, esse processo pode causar alterações na superfície da unha, deixando-a irregular ou com defeitos permanentes.
Prática comum no Brasil, mas não no exterior
No Brasil, a retirada da cutícula ainda é vista como parte obrigatória do cuidado com as unhas. Em países como Estados Unidos e na maior parte da Europa, a chamada cutilagem não faz parte da rotina dos salões de beleza.
A orientação dos especialistas é que apenas peles ressecadas e grossas nas laterais da unha sejam removidas, sempre com cuidado e com instrumentos esterilizados. A cutícula, por sua vez, deve ser preservada.
Alternativas mais seguras
Uma das opções que vêm ganhando espaço é a chamada manicure russa. A técnica utiliza brocas diamantadas e não faz uso de água, o que permite maior precisão. O objetivo, segundo Tatiana Gabbi, é remover apenas o excesso de pele, mantendo a maior parte da estrutura da cutícula.
“O problema é que, no Brasil, muitas profissionais acabam retirando totalmente a cutícula, o que descaracteriza a técnica e mantém os riscos”, ressalta.
Outra orientação é evitar o uso frequente de unhas de gel, já que a técnica exige a retirada da cutícula para evitar o descolamento do material, aumentando a exposição da região.
Uso de esmaltes também exige cuidado
Apesar de populares, os esmaltes devem ser usados com moderação. Rosana Lazzarini explica que os produtos contêm substâncias químicas que podem causar manchas e irregularidades, especialmente em esmaltes escuros.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Dermatologia é deixar as unhas sem esmalte pelo menos uma semana por mês ou, quando isso não for possível, manter intervalos de dois a três dias entre as esmaltações.
Como cuidar corretamente das unhas e cutículas
Os dermatologistas destacam algumas orientações essenciais para manter a saúde das unhas:
- Hidrate diariamente as cutículas, a pele ao redor e as unhas, preferencialmente à noite;
- Evite retirar totalmente a cutícula e minimize traumas na região;
- Certifique-se de que os instrumentos de manicure estejam esterilizados;
- Evite lixar a superfície da unha, pois isso retira camadas de queratina;
- Prefira removedores de esmalte em vez de acetona;
- Use luvas ao lidar com água ou produtos de limpeza;
- Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, vitaminas e minerais, como biotina, zinco e vitaminas C e E.
Para quem decidiu abandonar a retirada da cutícula, o processo exige paciência, mas os resultados tendem a ser positivos a médio prazo, com unhas mais fortes, saudáveis e protegidas.
Informações: Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
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