Transfusão: testemunhas de Jeová mudam regra e liberam uso do próprio sangue

Nova orientação permite procedimentos com sangue do próprio paciente, mas mantém proibição de doações externas

Redação

Publicado em: 23 de março de 2026

5 min.
Testemunhas de Jeová mudam regra e liberam uso do próprio sangue. - Foto: Canva

Testemunhas de Jeová mudam regra e liberam uso do próprio sangue. - Foto: Canva

As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em sua política sobre transfusões de sangue, permitindo que fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos programados. A decisão foi comunicada por líderes do grupo e representa uma flexibilização parcial da regra tradicional da religião.

A nova orientação autoriza que o sangue do próprio paciente seja retirado, armazenado e posteriormente reinfundido durante cirurgias, por exemplo. No entanto, a proibição de receber sangue de outras pessoas permanece inalterada.

A mudança foi destacada por Gerrit Lösch, integrante da liderança mundial do grupo, ao afirmar que “cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”.

O que muda na prática

Apesar de não representar uma liberação total, a atualização traz novas possibilidades médicas para os fiéis. Veja os principais pontos:

  • Está permitido o uso do próprio sangue em procedimentos planejados
  • Continua proibida a transfusão com sangue de outras pessoas
  • A decisão final passa a ser individual, dentro de limites religiosos
  • Procedimentos emergenciais seguem com restrições mais rígidas

Segundo porta-voz da organização, a crença central não foi alterada. “Nossa crença fundamental a respeito da santidade do sangue permanece inalterada”, afirmou.

Base religiosa segue a mesma

As Testemunhas de Jeová mantêm a interpretação bíblica de que o uso de sangue deve ser evitado. A crença é baseada em passagens do Antigo e do Novo Testamento que orientam a “abster-se de sangue”.

O grupo religioso é conhecido mundialmente por sua atuação missionária e afirma ter cerca de nove milhões de seguidores, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.

Críticas e limitações

A mudança, no entanto, não foi suficiente para agradar todos. Ex-integrantes da religião criticaram a decisão, afirmando que ela ainda limita escolhas em situações críticas de saúde.

O americano Mitch Melon declarou que a atualização “não vai longe o suficiente”, especialmente em casos de emergência ou tratamentos complexos, como alguns tipos de câncer que exigem múltiplas transfusões.

Decisões judiciais reacendem debate

O tema também tem sido alvo de decisões judiciais. Em dezembro do ano passado, um tribunal de Edimburgo, na Escócia, autorizou médicos a realizarem transfusão de sangue em uma adolescente de 14 anos, mesmo contra sua vontade e crença religiosa.

A Justiça entendeu que o procedimento poderia ser necessário para salvar a vida da jovem, dando prioridade à proteção da saúde da menor.

Debate continua

A atualização da política reacende discussões sobre liberdade religiosa, autonomia individual e limites da medicina em situações de risco. Enquanto a religião mantém suas diretrizes, casos práticos seguem desafiando tribunais e profissionais da saúde em diferentes países.


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