Uma história marcada por anos de violência doméstica ganhou um novo capítulo em Criciúma. Após viver mais de uma década de agressões físicas e psicológicas, a moradora Carla Rosana encontrou apoio e proteção por meio da Rede Catarina de Proteção à Mulher, programa da Polícia Militar de Santa Catarina que acompanha vítimas com medidas protetivas.
O relato foi compartilhado durante reportagem da jornalista Manuela Oliveira, da Rádio Cidade em Dia 89.1, que ouviu a vítima e policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo atendimento na região.
Ciclo de violência começou no início do relacionamento
Segundo Carla Rosana, o ciclo de agressões começou poucos meses após o início do relacionamento. O primeiro episódio de violência foi seguido por pedidos de desculpas, uma dinâmica comum em casos de violência doméstica.
Com o passar do tempo, as agressões se tornaram mais frequentes e graves. Durante a gravidez da filha, Carla relatou que sofreu ataques físicos que quase provocaram um aborto. Ao longo de 13 anos, ela afirma ter sido vítima de violência física, psicológica e sexual.
Durante esse período, o medo de represálias e o julgamento social fizeram com que ela demorasse a buscar ajuda.
“Eu vivia sempre com o rosto machucado, cheio de maquiagem para esconder. Muitas pessoas sabiam, mas também existe o julgamento de que a mulher apanha porque quer”, relatou.
Episódio de violência quase terminou em tragédia
Um dos episódios mais graves ocorreu quando o agressor a espancou dentro de casa, causando fraturas nas costelas, nariz quebrado e perda de dentes. Após ser trancada dentro da residência, ela conseguiu pedir ajuda a uma vizinha, que acionou familiares e a socorreu.
Mesmo após o registro da ocorrência, o agressor voltou a atacá-la semanas depois, em frente ao local de trabalho. O caso deixou marcas físicas e emocionais profundas, levando a vítima a enfrentar um longo processo de recuperação psicológica.
Recomeço em Santa Catarina
Em 2019, Carla decidiu se mudar para Santa Catarina em busca de recomeçar a vida. O período de tranquilidade, porém, foi interrompido em 2023, quando o ex-companheiro voltou a persegui-la em Criciúma.
Diante da situação, ela procurou ajuda e solicitou medidas protetivas.
Foi nesse momento que a Rede Catarina de Proteção à Mulher passou a acompanhar o caso.
A importância da Rede Catarina
A Rede Catarina é um programa da Polícia Militar de Santa Catarina voltado ao acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência. O trabalho inclui visitas periódicas, orientação e monitoramento do cumprimento das decisões judiciais.
Segundo o sargento Peterson, do 9º Batalhão da Polícia Militar, o objetivo é oferecer suporte direto às vítimas.
“O que fizemos foi receber a medida protetiva e verificar que ela precisava de um apoio mais próximo. Então nos deslocamos até a casa dela para acompanhar a situação e prestar auxílio”, explicou.
A cabo Martina, que também atua no programa, destaca que o acompanhamento faz diferença na proteção das vítimas.
“É um programa que realmente funciona. A partir da denúncia e da medida protetiva, fazemos fiscalização e oferecemos acolhimento. O retorno das mulheres mostra que o atendimento tem resultado”, afirmou.
Denúncia pode salvar vidas
Hoje, Carla afirma que conseguiu reconstruir sua vida, mas reforça que romper o ciclo da violência exige coragem e apoio.
Para ela, o principal recado às mulheres que vivem situações semelhantes é buscar ajuda e denunciar.
“Não tenha vergonha de falar. Conte para vizinhos, amigos, familiares. Denuncie. Aquela frase de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher não pode mais existir”, disse.
Em casos de violência doméstica, a orientação é procurar ajuda imediatamente. Situações de emergência podem ser denunciadas pelo telefone 190, enquanto o canal 180 também recebe denúncias e orienta vítimas em todo o país.
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