A cidade de Itajaí está chocada com a barbárie registrada na noite desta segunda-feira (30), quando um homem de 41 anos degolou a enteada de sete anos. O motivo do crime foi vingança. Violento e possessivo, Marciel Medeiros não aceitava o fim do relacionamento com a mãe da garota.
De acordo familiares da criança, no final da tarde, o homem chegou em casa e iniciou uma discussão com a ex-companheira. Ela então mandou a filha pequena tomar banho – na tentativa de que a menina não presenciasse o fato. Foi quando Marciel partiu para cima da companheira a teria agredido.
Depois disso, Marciel falou: “Vou te tirar aquilo que você mais ama”. Ele pegou uma faca e degolou a enteada, Antonella. A menina chegou a ser socorrida e levada à Unidade de Pronto Atendimento do bairro Cordeiros, mas não resistiu.
Ao tentar impedir a ação do padrasto, o irmão de Antonella, um adolescente de 16 anos, teve os dedos cortados. O estado dele é estável.
A Polícia investiga se houve também violência sexual, mas apenas laudos do IML poderão comprovar a agressão. A família nega. O corpo de Antonella, que completaria oito anos no dia 14 de junho, é velado na capela do bairro Fazenda.
Fuga, perseguição e morte
Marciel Medeiros fugiu depois do crime e as autoridades da segurança pública de Itajaí iniciaram uma verdadeira caçada contra o suspeito. Ele acabou morto por uma agente da Guarda Municipal no final da noite após supostamente reagir a abordagem policial. Marciel era funcionário da Secretaria da Saúde de Itajaí desde 2007, e atuava como agente de proteção à endemias.

A Polícia Militar informou que o homem tinha histórico de ocorrência policial por ameaça, registrada em 2017. Em 2019 ele foi flagrado ao tirar uma foto com a menina sem roupa no colo. Ele estava respondendo pelo ato na Justiça.
O caso está sendo investigado pelo delegado Márcio Colatto, da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami).
Procuradoria Especial da Mulher emite nota sobre o caso
Diante da repercussão do caso a Procuradoria Especial da Mulher de Itajaí emitiu a seguinte nota.
Nossa cidade está em choque com a morte prematura da pequena Antonella, assassinada num ambiente que não deveria ser hostil e por alguém que deveria protege-la.
Quem acompanha os jornais sabe que a morte de mulheres e crianças por homens que não aceitam o fim dos relacionamentos é quase que rotineira. Já perdemos 24 vidas de mulheres catarinenses só em 2022. É assustador pensar que estamos na metade do ano e esse número já é 55% maior que no ano passado, mesmo agora que metade dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.
Casos como o da Antonella nos serve para alertar que tragédias também acontecem dentro de casa e por pessoas, até então, de nossa confiança. Por isso a importância de falar sobre o assunto para que adultos e crianças saibam reconhecer abusos e procurar ajuda.
Como agente político não nos cabe apenas lamentar. Nesse sentido, a Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Vereadores de Itajaí tem trabalhado na prevenção, com a abertura do Espaço de Orientação à Mulher onde as vítimas de violência doméstica recebem todas as orientações necessárias e com a realização do concurso estudantil “Mulher Segura, Tarefa de Todos” que busca fomentar essa reflexão nas escolas públicas e privadas de Itajaí.
Apesar de ser um avanço, essas ações não são suficientes e precisam ser realizadas de forma constante, porque todos nós morremos um pouco quando algo assim acontece. Morremos na pequena que completaria 8 aninhos nas próximas semanas. Morremos por todas as famílias envolvidas nessa tragédia.
Nossa solidariedade aos que sofrem por essa perda tão sofrida, nossas orações para a pequena Antonella e nossa promessa de não medir esforços para a criação de políticas públicas na tentativa de evitar novas tragédias.
Anna Carolina Martins
Procuradora da Procuradoria Especial da Mulher
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