Governo de SC divulga 18 medidas sociais e econômicas para auxiliar famílias após enchentes

Jorginho adiantou que o Programa Recupera Santa Catarina deve investir R$ 650 milhões no Estado

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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O Estado de Santa Catarina, após enfrentar um dos mais significativos desafios de sua história em termos de resposta a um desastre climático, anuncia um conjunto abrangente de medidas específicas para apoiar as famílias e empresários que foram impactados pelas chuvas recentes que assolaram o estado neste mês de outubro.

O Programa Recupera Santa Catarina, composto por um total de 18 iniciativas distribuídas em dois pilares distintos – dez ações de cunho social e oito medidas externas para o âmbito econômico – representará um investimento total de aproximadamente R$ 650 milhões, com o objetivo de atender às necessidades da população atingida. Os detalhes deste programa foram apresentados pelo governador Jorginho Mello durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da Defesa Civil, em Florianópolis, nesta segunda-feira, 23 de outubro.

Entre as principais medidas, destaca-se a garantia de um auxílio único no valor de R$ 20 mil para todas as cidades que abrigaram até 49 pessoas nos centros de acolhimento. A administração deste auxílio será realizada pela Secretaria de Estado da Assistência Social. No que diz respeito às medidas de caráter econômico, merece destaque a postergação do pagamento de ICMS para os contribuintes que tiveram seus negócios prejudicados nos municípios afetados e a implementação do Pronampe Emergencial.

O governador Mello explicou que a ação do governo se desdobra em duas frentes principais: acelerar a vigilância das residências das famílias catarinenses afetadas e estimular a retomada das principais atividades comerciais e produtivas nas áreas mais impactadas pelas chuvas.

"O Estado não mediu esforços para alertar a população e mobilizar a maior quantidade de equipes de resgate da nossa história. Agora, nosso compromisso é garantir que os catarinenses mais prejudicados recebam o apoio necessário para reconstruir suas vidas e retomar suas atividades comerciais", ressaltou o governador Jorginho Mello.

Os efeitos das chuvas atingiram direta ou indiretamente por menos 3,6 milhões de pessoas nas últimas semanas, o que representa cerca de 47% da população de Santa Catarina. Nesse período, 153 municípios declararam estado de emergência, abarcando 52% de todas as cidades do estado e aproximadamente 45% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Quatro cidades decretaram calamidade pública em virtude dos erros causados ​​pelas enchentes.

Estima-se que o montante total de danos materiais, bem como prejuízos públicos e privados no estado, alcance aproximadamente R$ 1,2 bilhão. O Programa Recupera Santa Catarina representa uma das iniciativas mais robustas lançadas pelo Governo Estadual ao longo deste ano.

O governador Mello também informou que estão sendo planejadas ações de médio e longo prazo, incluindo projetos para a construção de mais barragens, manutenção de estruturas existentes e parcerias para realizar a dragagem em locais estratégicos a fim de prevenir futuras inundações. Essas iniciativas fazem parte do esforço contínuo de proteção contra desastres naturais, e durante a coletiva, o governador anunciou a criação do Grupo de Trabalho Proteção Levada a Sério.

Abaixo, detalhamos as principais características de cada uma das iniciativas e também como as pessoas podem acessar os benefícios, que entrarão em vigor a partir dos dados de publicação dos decretos municipais e estaduais ao longo deste mês de outubro.

Pacote Social

Secretaria de Estado da Assistência Social

Auxílio Emergencial para municípios com abrigos 
O Governo de Santa Catarina anunciou o repasse de R$ 20 mil para todas as cidades que tiveram até 49 pessoas em abrigos. A proposta da Secretaria da Assistência Social, Mulher e Família é auxiliar os pequenos municípios que não puderam solicitar recursos federais. 

Secretaria de Estado da Saúde

Campanha de orientação para cuidados contra doenças decorrentes das cheias
Ação de vigilância em saúde após as enchentes, com articulação junto aos municípios e serviços de atendimento à população catarinense, sobre os casos relacionados às enchentes. As águas dos alagamentos podem estar contaminadas pelo esgoto, urina de rato, e provocar sérios problemas à saúde. Com a retomada após as cheias, inicia-se esse trabalho no atendimento aos casos de leptospirose, animais peçonhentos e notificações de casos junto à Vigilância Epidemiológica.

Polícia Científica de SC

Mutirão itinerante para a emissão gratuita de carteira de identidade
Com os desastres climáticos, os atingidos podem ter perdido seus documentos, e isso dificulta ou inviabiliza o acesso aos serviços essenciais, como saúde, auxílios e financiamentos. 

Assim, a Polícia Científica (PCI) vai realizar uma força-tarefa para emitir as identidades dos atingidos sem cobrança de taxa e sem a necessidade de agendamento prévio. 

Estima-se que a medida possa atender até 6 mil vítimas das cheias. 

Secretaria de Estado do Planejamento

Doações da iniciativa privada via Fecam
O objetivo é buscar recursos por meio de doações de parceiros privados que serão intermediadas pela Federação Catarinense dos Municípios. O dinheiro será revertido em benefício das famílias afetadas e em apoio à reconstrução das comunidades atingidas.

Detran-SC

Prazos suspensos por até 30 dias no Detran
O Detran-SC determinou a suspensão dos prazos em processos do órgão, em municípios afetados, também com objetivo de ajudar as pessoas atingidas pelas chuvas para a reconstrução das suas moradias. Serão 153 municípios com prazo suspenso, dentro da proposta de 15 dias a partir da publicação do Decreto de Emergência, prorrogáveis por mais 15 dias.

Celesc

Suspensão do corte de energia das unidades atingidas pelas enchentes 
A Celesc assumiu o compromisso de não cortar a energia elétrica das unidades que atrasarem o pagamento nos próximos 60 dias em cidades atingidas pelas enchentes. Serão beneficiados moradores dos bairros indicados pelas prefeituras. A Celesc verificará os locais atingidos junto às Defesas Civis desses municípios.

Parcelamento dos débitos em atraso
A companhia lançou também um programa para parcelamento de faturas atrasadas, para atender quem tem débitos pendentes em outubro ou nos meses anteriores. As unidades consumidoras atingidas pelas enchentes em municípios que decretaram estado de calamidade ou de emergência poderão parcelar os valores pendentes em até 24 prestações, sem entrada, com isenção de multa e juros pretéritos. 

Casan

Subsídio ao excedente do consumo usado na limpeza
A Casan vai conceder um desconto emergencial na fatura dos imóveis das famílias residentes em cidades atingidas que sejam atendidas pela companhia. São 100 em situação de emergência e todas as quatro cidades que decretaram calamidade pública — a relação de municípios pode ser atualizada. O desconto na fatura será realizado com base na média dos últimos 6 meses de uso de água. 

Suspensão do corte de água das unidades atingidas pelas enchentes 
A Casan também se comprometeu em manter o fornecimento de água para as unidades com faturas atrasadas nas mesmas áreas atingidas.

Parcelamento de débitos em atraso
Qualquer atraso poderá ser avaliado de forma posterior, por meio do programa de parcelamento da companhia.

Pacote Econômico

Secretaria de Estado da Fazenda

Postergação do ICMS para empresas que tiveram prejuízos com as cheias
A Secretaria da Fazenda vai oferecer aos contribuintes afetados pelos eventos climáticos a opção de postergar o pagamento de ICMS para empresas normais (nos municípios em emergência) e do Simples Nacional (neste caso, apenas nos municípios em calamidade pública). 

Em relação às empresas normais, a proposta prevê a postergação do pagamento do tributo por 90 dias durante seis meses. Por exemplo, o pagamento de outubro é prorrogado para janeiro, enquanto o de novembro é prorrogado para fevereiro. E assim por diante, até o mês de março. 

Já para as empresas enquadradas no Simples Nacional, válida apenas para os contribuintes dos municípios em calamidade pública, a lógica é contrária. Nesse caso, o pagamento é postergado por seis meses, mas vale apenas para o mês corrente e os dois meses seguintes ao evento climático. Ou seja, o pagamento de outubro é prorrogado para março, enquanto o de novembro é prorrogado para abril. E, em dezembro, uma última postergação é feita para o mês de maio.

Liberação dos portos
Será suspensa por 28 dias a obrigatoriedade de utilização dos portos e aeroportos de SC para fins de fruição do benefício fiscal da importação. O benefício fiscal da importação exige que o importador utilize os portos e aeroportos de Santa Catarina. A edição de um decreto suspenderá em outubro a obrigatoriedade de desembarcar a mercadoria nos portos de SC, mantendo o desembaraço em Santa Catarina.

Suspensão de obrigações acessórias (DIME, EFD, Sintegra e CND)
A Fazenda também irá suspender as chamadas obrigações acessórias. A suspensão se aplica aos efeitos da omissão da entrega das declarações de ICMS (DIME, EFD, Sintegra), além da suspensão do critério de omissão da entrega das declarações na CND pelo prazo de 60 dias para empresas nos municípios em situação de emergência. Os contribuintes em todo país precisam cumprir periodicamente um conjunto de obrigações acessórias, como a entrega da DIME, EFD, PGDAS e Sintegra. A medida atende a pleitos de entidades representativas do setor produtivo.

IMA

Prorrogação dos prazos de licenças e suspensão dos prazos processuais por 90 dias
O Instituto do Meio Ambiente (IMA) publicou portaria n.207/2023 com a suspensão, por 90 dias, dos prazos para as licenças de empreendimentos/propriedades afetadas pelas cheias. A medida prevê que empresas que tenham sofrido com o evento climático possam solicitar ao IMA mais tempo para responder os questionamentos realizados pela instituição, beneficiando empreendedores que precisam estar focados em outras frentes de trabalho durante esse período de reconstrução.

Liberação de licenças para obras emergenciais de prevenção e mitigação de cheias
O IMA reforçou em portaria n. 207/2023 que todas as obras consideradas de interesse da Defesa Civil para a proteção de vidas nas cidades atingidas pelas enchentes podem ser realizadas com dispensa do licenciamento ambiental. Essas obras compreendem, por exemplo, dragagens que ajudem a evitar a elevação do nível dos rios nas cidades em suas margens.

Badesc

Criação do Pronampe Emergencial com foco no MEI, Micro e Pequeno Empreendedor afetado pelas chuvas

O Badesc está comprometido a ajudar na reconstrução das micro e pequenas empresas catarinenses, a partir da oferta de uma linha de crédito com juros subsidiados pelo Governo de Santa Catarina. No momento em que o empreendedor se depara com a perda de estoque ou de algum maquinário essencial para o seu negócio, surge a necessidade do fornecimento de crédito para a retomada das operações no curto prazo. A proposta é realizar a oferta desse crédito adicional, mas também permitir a revisão de contratos já existentes do Badesc com empresas dos municípios atingidos.

BRDE

Concessão de linhas de crédito e revisão de operações vigentes
Para atender as empresas e produtores rurais atingidos pelas recentes chuvas, o BRDE atuará em diversas frentes: tanto na repactuação de dívidas, quanto na concessão de novos recursos.

Os programas disponíveis são:

Refin Agro, R$30 milhões em postergação de operações e carência

Refin BNDES, R$35 milhões em postergação de contratos/parcelas

Pronaf e o Crédito Urbano, R$165 milhões para novas linhas de crédito

O BRDE também atuará na concessão de crédito para mitigação futura. O banco reconhece a necessidade de organização para eventos futuros, preparando Santa Catarina para respostas melhores diante dos desastres climáticos no médio prazo. A instituição disponibilizará crédito por meio do BRDE Resiliente para as prefeituras. São R$160 milhões para ações de prevenção e mitigação de eventos futuros.

Secretaria de Estado da Casa Civil

Prorrogação de 60 dias na prestação de contas dos municípios que receberam TEVs e convênios
Em atenção aos pleitos de municípios atingidos pelas chuvas, a Secretaria de Estado da Casa Civil abriu a possibilidade de prorrogar por 60 dias o prazo para a apresentação de justificativa ou da efetiva prestação de contas das Transferências Especiais Voluntárias (TEVs) e convênios realizados entre 2021 e 2022. O próximo dia 30 de outubro foi estabelecido como data-limite para essa finalidade, mas poderá ser prorrogado para o final de dezembro nos casos em que houver necessidade.

Como acessar o benefício

O acesso aos benefícios varia conforme a orientação de cada órgão/secretaria, que serão detalhados em seus respectivos canais de comunicação. Em resumo, são três os caminhos de acesso aos benefícios anunciados:

O cidadão afetado terá que fazer a solicitação através dos canais de comunicação de cada entidade;
O cidadão/contribuinte precisa ter um comprovante em mãos de “dano” ocorrido em sua residência/comércio (o documento é emitido pela Defesa Civil do Município). É necessário também ter cópia do decreto de emergência ou estado de calamidade;
O órgão irá analisar os demais critérios pertinentes a cada programa, de acordo com o FIDE – Formulário de Informações do Desastre.

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