Cometa interestelar intriga cientistas por alta presença de álcool

Descoberto em 2025, o 3I/ATLAS pode ter mais de 7 bilhões de anos e veio de outro sistema solar

Redação

Publicado em: 11 de março de 2026

5 min.

Cometa interestelar intriga cientistas por alta presença de álcool Foto: Divulgação

Cientistas que operam o radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), instalado no deserto do Atacama, no Chile, identificaram uma característica incomum no cometa interestelar 3I/ATLAS: uma quantidade extraordinária de álcool em sua composição.

A análise revelou que o objeto possui abundância de metanol — um tipo de álcool — em proporção muito superior ao cianeto de hidrogênio (HCN) quando comparado a cometas conhecidos do Sistema Solar. A descoberta pode ajudar os pesquisadores a compreender melhor a formação de sistemas planetários além do nosso.

Segundo Nathan Roth, autor principal da investigação, o objeto oferece uma oportunidade rara para a ciência.
“Observar o 3I/ATLAS é uma chance de entender outro Sistema Solar. Os detalhes mostram que ele está cheio de metanol, de uma maneira que não encontramos em cometas do nosso Sistema Solar”, afirmou.

O que é o cometa 3I/ATLAS

O 3I/ATLAS foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio do sistema ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Survey System), localizado em Río Hurtado, no Chile.

Posteriormente, observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) identificaram outra característica incomum: uma coma — nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo do cometa — dominada por dióxido de carbono (CO₂), concentração considerada inédita entre cometas conhecidos.

O objeto é classificado como interestelar por apresentar uma trajetória hiperbólica, o que indica que ele não está preso à gravidade do Sol e não segue uma órbita fechada dentro do Sistema Solar.

Objeto pode ter vindo de outro sistema solar

Estudos preliminares da Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) apontam que o cometa provavelmente se formou em outro sistema planetário e foi ejetado para o espaço interestelar, onde teria vagado por milhões de anos antes de entrar no nosso sistema.

No momento da identificação, o corpo celeste estava próximo à constelação de Sagitário, na região central da Via Láctea, a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol, dentro da órbita de Júpiter.

Os dados também indicam que o cometa se desloca a aproximadamente 221 mil quilômetros por hora (61 km/s) — velocidade suficiente para impedir que ele seja capturado pela gravidade solar.

Um dos objetos mais antigos já observados

Modelos computacionais desenvolvidos pela equipe responsável pela descoberta sugerem que o 3I/ATLAS pode ter mais de 7 bilhões de anos, tornando-o potencialmente mais antigo que o próprio Sistema Solar, que possui cerca de 4,6 bilhões de anos.

Se confirmada, a idade do cometa pode transformar o objeto em uma verdadeira “cápsula do tempo” cósmica, oferecendo pistas valiosas sobre a formação e evolução de sistemas planetários em outras regiões da galáxia.


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