Estudo revela que Júpiter tem mais oxigênio que o Sol

Modelo inédito da Nasa e da Universidade de Chicago indica formação além da “linha da neve” e circulação interna mais lenta do que o previsto

Redação

Publicado em: 17 de fevereiro de 2026

6 min.

Estudo revela que Júpiter tem mais oxigênio que o Sol Foto: Divulgação

Durante séculos, a Grande Mancha Vermelha simbolizou o caos atmosférico de Júpiter. Agora, um novo estudo publicado no The Planetary Science Journal revela o que pode estar oculto sob as densas camadas de nuvens do maior planeta do Sistema Solar: uma composição química rica em oxigênio e uma dinâmica interna mais lenta do que se imaginava.

A pesquisa é resultado de uma colaboração entre a Universidade de Chicago e o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa. Utilizando modelos computacionais inéditos, os cientistas combinaram hidrodinâmica e química atmosférica em uma única simulação complexa para reconstruir as condições extremas do interior joviano.

Como Júpiter não possui superfície sólida e qualquer tentativa de exploração direta resultaria na destruição de sondas espaciais, os modelos computacionais se tornaram a principal ferramenta para investigar o que ocorre nas profundezas do planeta.

Oxigênio em abundância no interior do gigante gasoso

Um dos principais achados do estudo é que Júpiter contém cerca de 1,5 vez mais oxigênio do que o Sol. A estimativa supera teorias anteriores, que apontavam quantidades reduzidas desse elemento.

De acordo com os pesquisadores, o oxigênio estaria presente principalmente na forma de água congelada nas camadas mais profundas do planeta. Essa composição funciona como uma “assinatura química” do seu nascimento.

Segundo Jeehyun Yang, líder do estudo, o alto teor de oxigênio indica que Júpiter capturou grandes quantidades de gelo durante sua formação.

“A química é importante, mas não inclui o comportamento das nuvens. A hidrodinâmica por si só simplifica a química. Combiná-las é o que nos dá a imagem real”, afirmou o pesquisador da Universidade de Chicago.

Circulação interna até 40 vezes mais lenta

Outro resultado que desafia décadas de teoria planetária diz respeito à dinâmica interna do planeta. O estudo aponta que a circulação de gases e a difusão química no interior de Júpiter ocorrem até 40 vezes mais devagar do que se acreditava.

Isso significa que processos químicos que antes se estimava durarem horas podem, na prática, levar semanas para se completar.

Essa descoberta tem impacto direto na forma como cientistas interpretam dados atmosféricos coletados por missões como a Galileo e a Juno, que forneceram informações essenciais para alimentar o novo simulador.

Formação além da “linha da neve”

A alta concentração de oxigênio reforça a hipótese de que Júpiter não se formou onde está atualmente. O estudo sustenta que o planeta pode ter surgido muito além da chamada “linha da neve”, uma região do sistema solar primitivo onde a temperatura era suficientemente baixa para que a água permanecesse em estado sólido.

Se confirmada, essa teoria indica que Júpiter teria migrado para a posição atual após sua formação. Essa movimentação pode ter sido determinante para reorganizar detritos espaciais e permitir que planetas rochosos, como a Terra, se estabilizassem.

Júpiter como referência para exoplanetas

Compreender a estrutura interna e a química de Júpiter também ajuda astrônomos a interpretar dados de exoplanetas, especialmente gigantes gasosos em outros sistemas estelares.

Por servir como modelo de referência, Júpiter é considerado um “padrão ouro” na busca por sistemas estáveis e potencialmente capazes de abrigar vida em seus planetas internos.

Ao decifrar o que acontece sob as nuvens do gigante gasoso, a ciência avança não apenas no conhecimento sobre um vizinho cósmico, mas também na compreensão dos processos que moldaram o próprio Sistema Solar.


FIQUE BEM INFORMADO:
📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.



× SCTODODIA Rádios