O ovo do apocalipse: casca “previu” o fim do mundo em Içara

História deixou muita gente intrigada na cidade

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
Sugerir conteúdo pelo WhatsApp

Em 1946, na cidade de Içara, dona Antônia, uma mulher dedicada à sua rotina doméstica, se depara com um acontecimento incomum enquanto recolhia os ovos das galinhas. Ao pegar um ovo, ela percebe algo estranho: letras escritas na casca do ovo. Esse evento desencadeia uma série de reações na comunidade.

Juca, filho mais velho de dona Antônia, é chamado para investigar o ovo misterioso. Ele reúne outros moradores, como Quintino, Jorge, Silvino e Avani, para analisar a situação. Juntos, eles tentaram decifrar o significado das letras na casca do ovo, que indica: "O mundo durará mais 10…". Essa mensagem ambígua gera ainda mais especulações e preocupações na comunidade.

O acontecimento rapidamente se espalhou pela cidade, gerando uma atmosfera de tensão e curiosidade. As autoridades locais, incluindo o delegado de Criciúma e o padre da paróquia local, estão envolvidas na investigação. Até mesmo a imprensa se interessa pelo caso, com jornalistas investigando e buscando fotografar o ovo misterioso.

Após análises mais aprofundadas, descobre-se que as letras foram escritas com um produto químico e que tudo não passou de uma brincadeira elaborada. O responsável pelo feito é revelado como Abílio, irmão de Juca, conhecido por sua habilidade em alquimia e química. A descoberta da verdade alivia a tensão na cidade, mas a história do ovo profético se torna uma lembrança marcante na comunidade de Içara, sendo contada e recontada ao longo dos anos.

Historiadora lembra do caso

A historiadora Elza de Mello, de Içara, lembra que na década de 50, o fato que alarmou Içara. "Foi uma brincadeira de Abílio. Eu era criança e  observei os rumores do tal ovo que profetizava o final do mundo. Nasci em 1953 e o povo ainda contava com certa crença", conta Elza.

Ela detalha que o padre Boleslau era o pároco da recém criada paróquia São Donato. "Abílio Cardoso deveria ser lembrado com carinho por sua contribuição ao desenvolvimento de Içara. Ele foi um jovem à frente de seu tempo", acrescenta Elza.

A historiadora conta que Juca era farmacêutico e um verdadeiro médico para os içarenses. "O povo do litoral, de onde saíram para vir para o Centro, vendiam sua produção de farinha de mandioca ao seu Amaro. Um ovo assinalado no galinheiro de dona Luíza foi logo acreditado. Ninguém imaginava que Abílio fosse o autor. Foi um verdadeiro rebuliço na pacata vila de Içara. Vale lembrar que Juca e Abílio cultivaram alquimia e conheciam muito de química. Eram bem cultos, com certeza", pontua Elza.

Reportagem original: Érik Borges

Fique bem informado

Receba no WhatsApp e na newsletter as principais notícias da sua região, alertas de serviço e os destaques de Santa Catarina, com a curadoria do SCTODODIA.

Player de rádio