Presença dos pais impacta diretamente o desenvolvimento infantil

Psicóloga Laura Mitkus explica que qualidade do tempo com os filhos é mais importante do que quantidade

José Demathé

Publicado em: 23 de março de 2026

7 min.

Presença dos pais impacta diretamente o desenvolvimento infantil

A psicóloga Laura Mitkus participou, nesta segunda-feira (23), de uma entrevista na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, conduzida pelo jornalista Paulo Monteiro. Durante a conversa, a especialista destacou a importância da presença efetiva dos pais na criação dos filhos e os impactos diretos no desenvolvimento emocional e comportamental das crianças.

Segundo Laura, embora dados apontem que pais das gerações mais recentes estejam passando mais tempo com os filhos, isso não garante, necessariamente, uma relação mais próxima ou saudável. O fator determinante é a qualidade dessa convivência.

Tempo de qualidade é determinante no desenvolvimento

De acordo com a psicóloga, os pais representam o primeiro modelo social da criança. Por isso, estar presente de forma ativa — com atenção, diálogo e interação — influencia diretamente na formação da personalidade.

Ela alerta que apenas dividir o mesmo espaço não é suficiente. “Estar em casa, mas sem interação, não substitui o tempo de qualidade”, explicou durante a entrevista .

Entre os principais pontos destacados:

  • A presença ativa contribui para o desenvolvimento emocional saudável
  • A interação fortalece vínculos e sensação de segurança
  • A ausência de atenção pode gerar comportamentos de busca por reconhecimento

Home office exige adaptação e diálogo

Um dos desafios atuais apontados é o impacto do trabalho remoto na dinâmica familiar. Embora facilite a presença física dos pais, o home office pode gerar frustração nas crianças quando não há compreensão sobre os momentos de trabalho.

A orientação da especialista é clara: o diálogo é essencial. Explicar à criança a rotina, os momentos de trabalho e os períodos de interação ajuda a reduzir conflitos e inseguranças.

Mais tempo não significa mais conexão

Dados citados durante a entrevista indicam que pais millennials passam significativamente mais tempo com os filhos do que gerações anteriores. No entanto, Laura ressalta que esse aumento pode seguir dois caminhos:

  1. Positivo: quando há interação, afeto e participação nas atividades da criança
  2. Negativo: quando o tempo é dividido com distrações, principalmente o uso de telas

“O impacto está na forma como esse tempo é utilizado”, destacou.

Uso de telas é um dos principais desafios atuais

A dependência de dispositivos eletrônicos foi apontada como um dos maiores obstáculos para a presença real dos pais. A especialista reforça que crianças tendem a reproduzir comportamentos observados em casa.

Ou seja, limitar o uso de telas para os filhos exige, também, mudança de hábitos dos próprios adultos.

Comportamentos podem sinalizar falta de atenção

A psicóloga explicou que mudanças no comportamento infantil podem estar relacionadas à necessidade de atenção. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Agressividade ou agitação
  • Dificuldades na escola
  • Regressões comportamentais

Ela destaca que, muitas vezes, não é a falta de recursos materiais que afeta a criança, mas sim a ausência de vínculo emocional.

Nova geração busca mais equilíbrio familiar

Apesar dos desafios, Laura avalia como positiva a mudança de comportamento das famílias mais jovens, que têm priorizado maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Segundo ela, o acesso à informação e à ciência contribuiu para uma maior consciência sobre a importância da presença parental.

Apoio psicológico tem sido mais procurado

Outro ponto relevante é o aumento na busca por orientação profissional. Pais têm procurado ajuda para lidar com dificuldades na criação dos filhos, especialmente diante de mudanças comportamentais.

A especialista reforça que o trabalho com a família é essencial: “Não adianta atender apenas a criança. O ambiente em que ela vive precisa estar alinhado”, afirmou .

Presença que constrói memórias e vínculos

Por fim, Laura destacou que experiências simples, vividas com presença e atenção, são as que mais marcam a infância. Mesmo quando não há lembranças conscientes, os sentimentos vividos permanecem e influenciam a vida adulta.


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