MPSC denuncia facção por tráfico e lavagem de dinheiro em condomínio de Tubarão

A denúncia já foi recebida pela Justiça, tornando os investigados réus em uma ação penal.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 19 de janeiro de 2026

6 min.
MPSC denuncia facção por tráfico e lavagem de dinheiro em condomínio de Tubarão. Foto: Divulgação

MPSC denuncia facção por tráfico e lavagem de dinheiro em condomínio de Tubarão. Foto: Divulgação

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou quatro supostos integrantes de uma facção criminosa acusados de comandar o tráfico de drogas em um condomínio residencial no município de Tubarão, no Sul do estado. A denúncia já foi recebida pela Justiça, tornando os investigados réus em uma ação penal.

A investigação aponta que o esquema criminoso movimentava cerca de R$ 450 mil por mês, obtidos com a venda de entorpecentes e com práticas recorrentes de lavagem de dinheiro. O caso é conduzido pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que atua junto à Vara Estadual de Organizações Criminosas.

Estrutura hierarquizada e controle do condomínio

De acordo com o Ministério Público, o grupo atuava de forma organizada e hierarquizada, com divisão clara de funções, seguindo um modelo semelhante ao de uma facção criminosa de alcance estadual à qual estaria vinculado.

Um dos denunciados é apontado como o responsável direto pela chefia do ponto de venda de drogas dentro do condomínio, exercendo autoridade máxima no local. Segundo a denúncia, ele controlava quem podia entrar ou sair do residencial, impunha regras internas e chegou a determinar a expulsão de moradores.

Apesar de manter a imagem de pequeno empresário, o investigado teria ocultado patrimônio incompatível com a renda declarada, adquirindo veículos de luxo, imóveis e joias por meio de contratos informais e sem registros oficiais, o que caracterizaria crime de lavagem de capitais.

Controle financeiro e movimentações suspeitas

Outro denunciado seria o responsável pelo controle financeiro e logístico da organização criminosa. Entre suas atribuições estavam a compra de insumos utilizados no preparo das drogas, como microtubos para embalar cocaína, além da articulação de remessas vindas de outras regiões.

As investigações indicam que, entre 2022 e 2024, esse integrante movimentou mais de R$ 1 milhão em contas pessoais, sem comprovação de origem lícita. No mesmo período, a empresa formal registrada em seu nome apresentou movimentação financeira de apenas R$ 50,00.

Gerência do tráfico e uso de adolescentes

A gerência operacional do tráfico de drogas ficaria a cargo de um terceiro integrante da facção. Conforme a denúncia, ele era responsável por coordenar os vendedores, supervisionar adolescentes recrutados pelo grupo criminoso e ordenar atos de violência relacionados à atividade ilícita.

Já o quarto réu é apontado como o principal responsável pela ocultação de bens da organização. Ele utilizaria um estabelecimento comercial como fachada para lavar dinheiro, registrando em seu nome veículos de luxo e imóveis usados pela facção, além de ceder propriedades para funcionarem como depósitos de drogas.

As investigações apontam movimentações de aproximadamente R$ 6 milhões em contas pessoais e empresariais, valor considerado incompatível com a atividade declarada de lavação de veículos.

Pedidos do Ministério Público

Além da condenação pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de capitais, o Ministério Público requer à Justiça a fixação de indenização por danos morais coletivos, em razão dos impactos sociais causados pelas atividades ilegais.

O MPSC também pede o perdimento dos bens adquiridos com recursos de origem criminosa, que já foram sequestrados por decisão judicial no curso das investigações.


FIQUE BEM INFORMADO

📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.



× SCTODODIA Rádios