O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou no Senado Federal um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar possíveis relações entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
O documento foi apresentado na noite de segunda-feira (9) e já conta com 35 assinaturas de senadores, número superior ao mínimo exigido para a abertura de uma CPI. Mesmo assim, a comissão só poderá ser oficialmente instalada após a leitura do pedido em plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Na justificativa do requerimento, Vieira afirma que a proposta busca esclarecer se houve vínculos pessoais, financeiros ou institucionais entre magistrados do Supremo e pessoas investigadas ou ligadas ao mesmo grupo empresarial.
Segundo o senador, a investigação pretendida não tem como objetivo revisar decisões judiciais da Corte, mas verificar se existiram relações que possam comprometer a imparcialidade exigida de autoridades públicas.
Apoio de parlamentares ao pedido
Entre os senadores que assinaram o requerimento estão 11 integrantes do PL, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Também aparecem entre os apoiadores seis parlamentares do PP, partido presidido pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Por outro lado, senadores do PT e do MDB, legenda do próprio Alessandro Vieira, não aderiram ao pedido até o momento.
Agora, o requerimento aguarda decisão da presidência do Senado para ser incluído na pauta e ter sua leitura em plenário, etapa necessária para que a CPI seja formalmente instalada.
Caso envolve negócios ligados ao Banco Master
A iniciativa de criação da comissão ocorre após a divulgação de informações sobre possíveis conexões entre pessoas próximas aos ministros do STF e negócios relacionados ao Banco Master.
No caso do ministro Dias Toffoli, o foco das discussões envolve a empresa Maridt, da qual o magistrado declarou participação societária. A companhia, administrada por familiares do ministro, tornou-se sócia do Resort Tayayá em 2020.
Posteriormente, parte das ações foi vendida a um fundo de investimento ligado a outro fundo cujo cotista único seria Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
A participação da empresa no empreendimento foi encerrada em fevereiro de 2025, quando a Maridt vendeu sua fatia no resort. Após a repercussão do caso, Toffoli deixou a relatoria de um inquérito no STF relacionado ao Banco Master, que passou ao ministro André Mendonça após sorteio interno.
Contrato envolvendo escritório ligado à esposa de Moraes
Já em relação ao ministro Alexandre de Moraes, reportagens apontaram a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que pertence à esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes.
O escritório confirmou posteriormente que manteve prestação de serviços ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mas não divulgou os valores envolvidos no acordo.
Outro ponto que chamou atenção foi a informação de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de ser preso pela primeira vez.
Em nota divulgada pela comunicação do Supremo Tribunal Federal, o ministro negou ter recebido as mensagens atribuídas a ele.
Próximos passos no Senado
Apesar de já ter alcançado o número mínimo de assinaturas, o requerimento ainda precisa ser lido em plenário pelo presidente do Senado para que a comissão seja oficialmente criada.
Somente após essa etapa a CPI poderá iniciar seus trabalhos de investigação. O pedido apresentado por Alessandro Vieira se soma a outros requerimentos de CPIs que aguardam análise da presidência da Casa.
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