Zanatta critica ministro e diz que debate sobre escala 6×1 foi “sem respostas”

Deputada federal afirmou em entrevista à Rádio Cidade em Dia que ministro do Trabalho evitou responder questionamentos técnicos sobre impactos da proposta

Redação

Publicado em: 11 de março de 2026

5 min.

Zanatta critica ministro e diz que debate sobre escala 6x1 foi “sem respostas” Foto: divulgação/Agência Câmara de Notícias

A deputada federal Júlia Zanatta (PL), de Criciúma, afirmou que o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foi marcado por falta de respostas do governo. A declaração foi feita em entrevista ao programa Cidade em Dia, da Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, nesta quarta-feira (11), ao jornalista Denis Luciano.

Segundo a parlamentar, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou da audiência pública para defender a proposta de mudança na jornada de trabalho, mas não respondeu de forma direta aos questionamentos apresentados por deputados e representantes do setor produtivo.

De acordo com Zanatta, as perguntas apresentadas tratavam de possíveis impactos da mudança na economia, especialmente sobre empregos, produtividade e custos para empresas e consumidores.

“A gente fazia perguntas técnicas, formuladas inclusive pelo setor produtivo catarinense, e ele desviava ou não respondia. Sem a possibilidade de contra-argumentar depois, considero que foi um não debate”, afirmou a deputada durante a entrevista.

Preocupação com empregos e produtividade

A deputada disse estar preocupada com os efeitos econômicos da proposta que discute mudanças na escala de trabalho tradicional de seis dias trabalhados para um de descanso. Segundo ela, o Brasil já enfrenta desafios relacionados à produtividade e qualquer alteração na jornada pode gerar impactos no mercado de trabalho.

Durante a audiência, Zanatta afirmou ter questionado o ministro sobre quais medidas o governo pretende adotar para evitar aumento de custos para empresas e consumidores.

Entre os pontos levantados pela parlamentar estão:

  • possível aumento do custo da hora trabalhada;
  • risco de redução de vagas de emprego;
  • crescimento da informalidade;
  • impacto nos preços de produtos e serviços.

Para a deputada, a discussão precisa considerar as diferenças entre o Brasil e países que já adotam modelos de jornada reduzida.

“Eles citaram dados de países com produtividade muito superior à do Brasil. Não dá para comparar diretamente essas realidades”, disse.

Proposta alternativa na Câmara

Durante a entrevista, Zanatta também mencionou uma proposta alternativa em tramitação no Congresso. A parlamentar citou uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo deputado Maurício Marcon (Podemos-RS), que permitiria maior flexibilidade nas negociações entre empregadores e trabalhadores.

Segundo ela, a proposta prevê que a jornada de trabalho possa ser definida diretamente entre as partes, sem necessidade de intermediação sindical.

“A ideia é permitir que trabalhador e empregador pactuem livremente a escala que melhor se adapte à realidade de cada atividade”, afirmou.

Tramitação da proposta

O debate sobre o fim da escala 6×1 está sendo analisado inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, responsável por avaliar a admissibilidade da proposta.

De acordo com Zanatta, foram aprovadas audiências públicas para aprofundar a discussão antes da eventual criação de uma comissão especial que analisará o mérito da proposta.

A deputada também afirmou que defende mais debates antes que o tema avance para votação em plenário.

“É um assunto que pode mudar a estrutura do mercado de trabalho no país. Precisa ser debatido com profundidade”, disse.


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