Deputada faz ‘blackface’ na Alesp e caso vai parar na polícia

Fabiana Bolsonaro afirmou que estava “pintada de negra por fora” e questionou por que não poderia presidir pautas relacionadas ao racismo

Eduardo Fogaça

Publicado em: 19 de março de 2026

4 min.
Deputada faz 'blackface' na Alesp e caso vai parar na polícia. Foto: Reprodução/ALESP

Deputada faz 'blackface' na Alesp e caso vai parar na polícia. Foto: Reprodução/ALESP

A deputada estadual de São Paulo, Fabiana Bolsonaro (PL), fez uso de blackface durante um discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira (18). A manifestação ocorreu enquanto a parlamentar criticava a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.

Durante a fala, Fabiana Bolsonaro afirmou que estava “pintada de negra por fora” e questionou por que não poderia presidir pautas relacionadas ao racismo. Em seguida, também fez declarações sobre identidade de gênero ao comentar a escolha de Erika Hilton para o cargo.

O que é blackface

O blackface é uma prática considerada racista, na qual pessoas brancas pintam a pele de preto ou utilizam adereços para representar, de forma caricata, pessoas negras. A prática tem origem nos Estados Unidos, onde era utilizada em espetáculos para reforçar estereótipos e ridicularizar a população negra.

Repercussão e denúncia

O caso gerou reação imediata de parlamentares e lideranças políticas. A deputada estadual Mônica Seixas (PSOL) e a vereadora de São Paulo Luana Alves (PSOL) foram até a Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância para registrar boletim de ocorrência.

Segundo Mônica Seixas, a situação configura crime de racismo, que é inafiançável pela legislação brasileira, e ocorreu de forma pública, durante sessão transmitida da Alesp.

A parlamentar também afirmou ter enfrentado dificuldades para registrar o flagrante, apesar de o regimento interno da Assembleia prever atuação policial em casos de crime no plenário.

Possíveis desdobramentos

Além do registro policial, Mônica Seixas informou que pretende levar o caso ao Conselho de Ética da Alesp. Ela também cobrou uma manifestação da presidência da Casa sobre o episódio.

Até o momento, o presidente da Alesp, André do Prado (PL), e a deputada federal Erika Hilton não se pronunciaram oficialmente.

O caso deve gerar desdobramentos tanto na esfera criminal quanto política, com possível investigação e análise de quebra de decoro parlamentar.


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