Drogas recreativas podem dobrar risco de AVC, diz estudo

Pesquisa com mais de 100 milhões de pessoas aponta anfetaminas, cocaína e cannabis como fatores ligados ao aumento do risco

Redação

Publicado em: 23 de março de 2026

5 min.
Drogas recreativas podem dobrar risco de AVC, diz estudo. - Imagem gerada por IA

Drogas recreativas podem dobrar risco de AVC, diz estudo. - Imagem gerada por IA

O uso recreativo de drogas ilícitas pode mais do que dobrar o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), segundo uma ampla revisão científica conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge. O estudo analisou dados de mais de 100 milhões de participantes em 32 pesquisas e foi publicado na revista International Journal of Stroke.

O levantamento aponta que substâncias como anfetaminas, cocaína e cannabis estão associadas a um aumento significativo no risco de AVC, uma das principais causas de morte no mundo. A condição ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro, podendo causar sequelas graves ou levar à morte.

Anfetaminas lideram risco de AVC

Entre as drogas analisadas, as anfetaminas apresentam o maior impacto:

  • Anfetaminas: aumento de 122% no risco de AVC
  • Cocaína: aumento de 96%
  • Cannabis: aumento de 33%

De acordo com os pesquisadores, o uso dessas substâncias pode desencadear alterações graves no sistema cardiovascular, elevando a pressão arterial e favorecendo a formação de coágulos.

Já os opioides não apresentaram associação clara com o aumento do risco de AVC na análise.

Como cada droga afeta o cérebro

O estudo identificou mecanismos biológicos que ajudam a explicar a ligação entre drogas e AVC:

  • Cannabis: pode causar constrição dos vasos cerebrais, alterações na pressão arterial e maior formação de coágulos
  • Cocaína: provoca elevações súbitas da pressão e espasmos nos vasos sanguíneos
  • Anfetaminas: estão ligadas à hipertensão aguda, arritmias e vasoconstrição cerebral

Além disso, cada substância foi associada a tipos específicos de AVC:

  • Cannabis: maior relação com AVC por doenças de grandes artérias
  • Cocaína: ligada a AVCs cardioembólicos
  • Anfetaminas: maior associação com AVCs hemorrágicos, considerados mais graves

Técnica inovadora reforça resultados

Para chegar às conclusões, os cientistas utilizaram a técnica de randomização mendeliana, que analisa variações genéticas para identificar relações de causa e efeito entre fatores de risco e doenças.

Segundo a autora principal do estudo, Megan Ritson, os resultados são robustos:
“Esta é a análise mais abrangente já realizada sobre uso de drogas recreativas e risco de AVC e fornece evidências convincentes de que essas substâncias são fatores de risco causais.”

Alerta para a saúde pública

Os pesquisadores destacam que os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção do uso de drogas como estratégia para reduzir casos de AVC.

No Brasil, a gravidade do problema é evidente: em 2025, a doença matou mais de 64 mil pessoas entre janeiro e outubro, com um óbito registrado a cada seis minutos.

Entenda os tipos de AVC

Existem dois principais tipos de AVC:

  • Isquêmico (85% dos casos): causado por entupimento de vasos sanguíneos
  • Hemorrágico (15%): provocado pelo rompimento de um vaso, sendo mais grave

Principais sequelas

O AVC pode deixar consequências permanentes, como:

  • Dificuldade de movimentos
  • Problemas na fala
  • Comprometimento da memória
  • Alterações emocionais

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