Caos urbano em SC: 163 cidades ignoram plano obrigatório

Tribunal de Contas cobra ação imediata e pode multar prefeitos por irregularidades na gestão urbana

Redação

Publicado em: 24 de março de 2026

6 min.
Caos urbano em SC: 163 cidades ignoram plano obrigatório - Foto: Allan Carvalho/PMF

Caos urbano em SC: 163 cidades ignoram plano obrigatório - Foto: Allan Carvalho/PMF

Santa Catarina enfrenta um cenário crítico no planejamento urbano: 163 dos 295 municípios apresentam irregularidades nos planos diretores, conforme levantamento atualizado do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC) até este mês.

O diagnóstico mostra que 24 cidades ainda não possuem o documento, enquanto outras 76 operam com planos desatualizados há mais de 10 anos — em desacordo com a legislação federal.

Diante da gravidade, o Tribunal intensificou a fiscalização e cobra providências imediatas das prefeituras.

TCE alerta para riscos e cobra reação dos prefeitos

O relator temático para o Meio Ambiente e Ocupação do Solo e vice-presidente do TCE/SC, conselheiro José Nei Alberton Ascari, destacou a urgência da situação.

“Nos últimos anos, o TCE/SC intensificou sua atuação junto aos municípios quanto à necessidade de elaboração e atualização dos planos diretores, elemento essencial para a consolidação de uma política urbana alinhada à sustentabilidade, à prevenção de riscos e à eficiência da gestão pública”, afirmou.

Ascari também chamou atenção para o impacto das mudanças climáticas. “Eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a integrar a realidade das cidades, o que aumenta a importância dos planos diretores”, reforçou.

Regiões mais críticas concentram irregularidades

As auditorias operacionais realizadas pelo Tribunal apontam maior concentração de problemas em algumas regiões do estado.

Veja onde a situação é mais grave:

  • Extremo-Oeste: 17 municípios com determinações
  • Contestado: 14 municípios
  • Chapecó: 12 municípios
  • Lages: 12 municípios
  • Carbonífera: 11 municípios
  • Florianópolis: 11 municípios

Essas regiões concentram tanto cidades sem plano diretor quanto aquelas com legislação desatualizada.

Municípios sem plano diretor ainda preocupam

Mesmo após anos de acompanhamento, o número de cidades sem plano diretor segue alto.

Alguns exemplos por região:

  • Carbonífera: Balneário Gaivota, Morro Grande, Siderópolis
  • Chapecó: Arvoredo, Nova Erechim, Ponte Serrada
  • Extremo-Oeste: Guarujá do Sul, São José do Cedro, Tunápolis
  • Tubarão: Grão Pará, Pedras Grandes, São Ludgero

No total, 24 municípios continuam sem o principal instrumento de planejamento urbano.

Planos desatualizados agravam riscos

Outro problema recorrente é a falta de revisão dos planos diretores. Pela lei federal, a atualização deve ocorrer a cada 10 anos — regra ignorada por dezenas de cidades catarinenses.

Inicialmente, 91 municípios estavam com planos vencidos. Até este mês, 76 ainda não haviam feito a atualização obrigatória.

Esse atraso compromete políticas públicas fundamentais, como:

  • Habitação
  • Mobilidade urbana
  • Saneamento básico
  • Uso e ocupação do solo

Prefeitos podem ser multados

O Tribunal determinou que os gestores apresentem planos de ação com metas e prazos definidos.

Situação atual:

  • 133 municípios receberam determinações
  • 33 já regularizaram
  • 100 seguem sob monitoramento

O descumprimento pode resultar em multas aos prefeitos responsáveis.

Falhas vão além do plano diretor

As auditorias também identificaram ausência de instrumentos complementares, como o Plano de Mobilidade Urbana.

Para Ascari, o problema afeta diretamente a qualidade de vida da população. “Os planos diretores municipais assumem papel estruturante na formulação das políticas públicas urbanas, contribuindo para cidades mais seguras, resilientes e organizadas”, explicou.

Planejamento urbano virou prioridade

O TCE/SC reforça que o plano diretor é essencial para garantir segurança, desenvolvimento e organização das cidades.

Sem esse instrumento, municípios ficam mais vulneráveis a desastres naturais, crescimento desordenado e falhas na gestão pública.

A recomendação é clara: a regularização deixou de ser apenas obrigação legal e passou a ser uma necessidade urgente para o futuro de Santa Catarina.


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