O presidente da FACISC (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina), Elson Otto, usou a expressão “uma questão de sobrevivência” durante encontro do COFEM (Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina) reunidas no início desta semana na sede da FACISC, em Florianópolis (SC). Otto referia-se, principalmente, à oferta de matéria-prima e aos gargalos logísticos do Estado.
Um dos temas centrais das análises foi levantado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), representada por Arene Trevisan, apresentando dados que” evidenciam a dependência do Estado em relação ao abastecimento de grãos”. Segundo a ABPA, “Santa Catarina produz cerca de 2,3 milhões de toneladas de milho, mas consome aproximadamente 8 milhões, volume que pode chegar a 10 milhões nos próximos anos. O milho responde por cerca de 80% da ração, sendo o principal insumo da cadeia de proteína animal”. Na questão logística, Trevisan destacou que “o avanço da produção nacional de grãos não foi acompanhado pela infraestrutura. O Brasil já enfrenta déficit de armazenagem de cerca de 25%, enquanto o transporte interno segue majoritariamente rodoviário”.
O tema sobre logística foi sugerido pela Facisc. O diretor de Ferrovias e Agronegócio da Federação, Lenoir Broch, que também preside o Movimento Pró-Ferrovias, destacou que “a ferrovia deve atender não só à exportação, mas também ao mercado interno, aos polos produtivos e à agregação de valor. Santa Catarina tem vocação na transformação e na proteína animal, e a infraestrutura precisa acompanhar essa realidade”.
O Conselho analisou ainda a questão da redução da jornada de trabalho. A FIESC defende que o mecanismo ideal é a negociação coletiva, já que leva em conta particularidades de cada setor e o acordado entre empregadores e trabalhadores. Na indústria de SC, a Federação lembra que muitas já cumprem a escala em regime 5×2. Em manifesto divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) é considerado que “embora o debate seja legítimo, medidas dessa natureza podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a geração de empregos formais. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos com trabalhadores formais em até R$ 267 bilhões por ano”.
O COFEM é um sistema integrado pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (FETRANCESC), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (FAMPESC), além do Sebrae-SC. (Com informações publicadas no site da FACISC).