Endividamento recorde leva governo a liberar FGTS no Desenrola 2

Com renda no menor nível em 15 anos, famílias destinam quase 30% do orçamento para dívidas

Redação

Publicado em: 28 de abril de 2026

5 min.
Endividamento recorde leva governo a liberar FGTS no Desenrola 2. - Foto: Canva

Endividamento recorde leva governo a liberar FGTS no Desenrola 2. - Foto: Canva

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, igualando o recorde histórico registrado em julho de 2022, segundo dados do Banco Central. Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 29,7%, pressionando ainda mais o orçamento doméstico e reduzindo o consumo.

Diante desse cenário, o governo federal decidiu atuar em duas frentes: endurecer regras para o crédito consignado privado e liberar o uso do FGTS no programa Desenrola 2, voltado à renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Governo tenta conter avanço das dívidas

O Ministério do Trabalho informou que pretende punir instituições financeiras que cobrarem juros muito acima da média no crédito consignado privado, atualmente em 3,66% ao mês. Na prática, segundo estimativas do mercado, o teto pode chegar a cerca de 5,98% mensais, considerando encargos adicionais.

Já o Ministério da Fazenda confirmou que o novo Desenrola 2 permitirá o uso de recursos do FGTS para quitar débitos. A proposta deve ser formalizada por meio de uma Medida Provisória (MP), o que possibilita entrada em vigor imediata após a assinatura presidencial.

Renda das famílias atinge menor nível em 15 anos

Enquanto o endividamento cresce, a renda disponível — ou seja, o valor que sobra após despesas obrigatórias — caiu para 21% em fevereiro, o menor patamar em 15 anos. No início de 2024, esse índice era de 23,6%.

Na prática, isso significa menos dinheiro circulando na economia, afetando setores como comércio, serviços, lazer e turismo.

Entenda os principais fatores da crise

Especialistas apontam uma combinação de fatores que explica o aperto financeiro das famílias:

  • Dívidas em alta: quase metade das famílias brasileiras possui algum tipo de endividamento
  • Juros elevados: a taxa Selic em 14,75% encarece o crédito e limita o acesso a linhas mais baratas
  • Custo de vida pressionado: despesas com alimentação, energia e moradia seguem elevadas
  • Crédito restrito: bancos mais cautelosos reduzem oferta, empurrando consumidores para opções mais caras

Percepção de aperto financeiro cresce

A dificuldade para fechar as contas também é percebida pela população. Pesquisa Datafolha aponta que 59% dos brasileiros consideram sua renda insuficiente para cobrir despesas básicas.

Além disso, 45% afirmam ter buscado fontes alternativas de renda nos últimos meses para equilibrar o orçamento.

Impacto na economia preocupa

Mesmo com a taxa de desemprego em nível baixo, de 5,8%, o poder de compra segue comprometido. A combinação de renda pressionada e alto endividamento limita o consumo, o que pode frear o crescimento econômico nos próximos meses.

Sem espaço no orçamento para gastos além do essencial, a tendência é de desaceleração em setores dependentes do consumo, como comércio e serviços.


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