Com o sonho de ser jogador de futebol, Diego Mateus sofreu um acidente que o deixou tetraplégico, e, hoje em dia, trabalha como streamer de jogos online, sendo conhecido como Guerreiro Tetra. Diego nasceu em Orleans, teve passagens por Tubarão e São Ludgero e atualmente mora em Criciúma.
No seu primeiro ano em São Ludgero, a Cidade dos Esportes, Diego, com apenas 16 anos, jogava em campeonatos adultos e logo se destacou. "Em qualquer lugar que eu ia para jogar, já estava lá esperando a minha camisa 10", relembra com um brilho nos olhos. Ele também treinou na categoria de base do Atlético Tubarão e pensava em seguir uma carreira profissional.
No entanto, a vida de Diego tomou um rumo inesperado. Logo ao completar 18 anos, em 2007, sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. Em um dia chuvoso, pegou carona com um colega que acabara de conhecer durante o alistamento militar, e um acidente "bobo", como ele mesmo diz, mudou sua vida para sempre.
“Eu não sei o que passou na cabeça dele, se foi fazer uma brincadeira, mas ele arrancou e empinou. Foi muito rápido, eu não tive reação, quando ele empinou, na mesma hora eu caí para trás e apaguei. Quando acordei, estava no hospital, totalmente paralisado a partir do pescoço, respirando por aparelhos na UTI, onde fiquei por nove meses”, relata.
Segundo Diego, muitos fatores ainda prejudicaram a situação. “Eu poderia estar andando, mas quando eu estava caído, as pessoas ao meu redor tentaram me acordar e me moveram. O que elas não imaginavam, é que eu tinha faturado três vértices da coluna vertebral, o que fez esse ato, agravar o meu quadro”.
“Em um momento, eu e meus pais éramos independentes, e segundos depois, ficamos totalmente reféns de uma nova realidade, onde meus pais, que eram agricultores, precisaram largar tudo e se dedicar só a mim. E eu fiquei totalmente dependente deles. Nosso sustento e bem-estar era fruto do nosso trabalho.
Além de estudar, eu ajudava os meus pais na agricultura desde os meus 7 anos. Com o ocorrido, sem apoio de quem causou o 'acidente', principalmente nos primeiros anos, tivemos que abrir mão de tudo, inclusive da nossa casa própria”, compartilha.
Diego explica que o custo de vida para se manter é muito caro. “Fui aposentado apenas com um salário mínimo. Acumulamos muitas dívidas para que pudéssemos nos estabilizar. Hoje, preciso manter uma dieta saudável para minha condição, comprar remédios que sempre faltam, além de pagar aluguel”.
O ponto de vista da mãe
A mãe dele, Eliete Torres Mateus, falou sobre o filho, descrito como um jovem dedicado à família, aos estudos e à paixão pelo futebol. Suas notas exemplares e seu amor pelo esporte eram marcantes, definindo o rapaz. “O Diego sempre foi um menino muito dedicado à família, que gostava de cuidar dos irmãos e tentava ser o melhor nos estudos”.
“Foi bem difícil porque a gente não teve ajuda de ninguém. Eu tive que largar o meu emprego e a gente teve que vender muita coisa que tínhamos conquistado com tanta luta”, detalha a mãe.
“Mas, com a ajuda de Deus, depois de dois anos que ele saiu do hospital, ele foi para casa e a gente conseguiu uma consulta no Sarah Kubitschek que é um hospital de Brasília (DF), especializado nesses casos. Lá, a gente começou uma a viver outra vida, aprender a viver do jeito que ele estava ali, onde aprendemos muitas coisas”, compartilha.
“No Sarah, passei por diversas terapias e tratamentos. Cada profissional com quem trabalhei me ensinou algo novo e valioso. Aprendi a entender meu corpo de uma maneira completamente diferente, a ter paciência comigo mesmo e a valorizar cada pequeno progresso”, completa o rapaz.
Uma história de superação e inspiração
Mas a história de Diego não é de tristeza. É uma história de superação. Hoje, ele é um dos melhores streamers do Brasil, mantendo-se ligado ao mundo dos jogos eletrônicos, por meio das telas. Com um mouse adaptado, ele consegue jogar e usar o computador para trabalhar. “Vivemos com o suor do meu trabalho como gamer/streamer e criador de conteúdo, algo que me orgulha muito. Felizmente ainda existem muitas pessoas de boa índole e de bom coração, que fortalecem a nossa caminhada. O mundo pode fechar muitas portas, mas Deus sempre abre uma janela”, afirma.
Para Diego, “a vida muda em um piscar de olhos, mas a forma como escolhemos encarar essas mudanças é o que realmente define quem somos. E eu escolhi continuar lutando, com um sorriso no rosto e gratidão no coração. Porque, no fim das contas, a vida é feita de altos e baixos, e é nossa responsabilidade fazer o melhor com o que nos é dado”.
“Por isso, estou muito grato a todos que me ajudaram e continuam me ajudando. Aos médicos, aos terapeutas, aos amigos, à minha família, e a todos que de alguma forma contribuíram para que eu estivesse onde estou hoje. E eu espero que, de alguma forma, eu possa retribuir toda essa ajuda, inspirando e ajudando outras pessoas também. Porque no fim das contas, a vida é feita de conexões, e é assim que as pessoas fazem a diferença no mundo”, fala Diego.
Guerreiro Tetra
Com as lives na Twitch, Diego virou o Guerreiro Tetra e ganhou visibilidade, fazendo com que outras pessoas em situações parecidas com a dele, se inspirassem na sua história de superação. “As pessoas que me procuram, seja para falar sobre lesões medulares, seja para falar sobre como é viver com deficiência, como lidar com a reabilitação, sobre tratamentos, entre outras coisas, é uma das coisas que eu acho mais gratificante”.
“Às vezes, uma conversa, uma palavra de incentivo, pode fazer toda a diferença na vida de alguém. E eu sinto que esse é o meu propósito. Minha história, minha luta, não é só sobre mim, mas é sobre inspirar e ajudar outras pessoas também”, conta o Guerreiro.
O streamer conta que no começo não foi fácil. “Foram muitos momentos de tristeza, de questionamentos. Mas eu decidi que não iria deixar isso me fazer cair. E é isso que eu tento passar para as pessoas que me procuram: que mesmo nas situações mais difíceis, a gente tem a capacidade de dar a volta por cima”.
A importância da família
“Tudo que a gente conseguiu foi por meio de doações, campanhas, trabalho e, claro, do apoio da família. E minha mãe foi a minha rocha durante todo o processo. Ela era aquela pessoa que, mesmo nos piores dias, encontrava uma maneira de me motivar, de dizer que tudo ficaria bem, de que eu conseguiria superar e seguir em frente", conta o catarinense.
Quando se fala em superação, a família tem um papel crucial na vida de Diego. “Quando conheci minha esposa, tudo aconteceu de maneira muito natural. Nós nos conhecemos pelo jogo, na verdade. Ela estava em uma guilda e acabamos interagindo, primeiro como amigos e depois como algo mais. E a conexão foi instantânea. Mesmo distante, com todas as adversidades que a vida me apresentou, eu encontrei alguém que entendeu minha história, meus sonhos e meus desafios. E quando finalmente nos encontramos pessoalmente, sabíamos que era para ser. Ela tem sido minha parceira em tudo, desde ajudar com as edições de vídeos até na parte administrativa”.
“Acredito que minha história é uma prova de que, mesmo nas situações mais difíceis, há sempre uma luz no fim do túnel. E com determinação, suporte e amor, podemos alcançar coisas incríveis. A vida pode não ser fácil, mas é o que fazemos dela que realmente importa. E eu escolhi seguir em frente, seguir meu sonho, e com o apoio da minha família e de todos aqueles que acreditaram em mim, eu consegui”, conclui Diego Mateus, o Guerreiro Tetra.
Campanhas
Diego possui campanhas online para arrecadar dinheiro para tratamentos e equipamentos que o ajudam a continuar trabalhando e vivendo. As doações podem ser feitas por meio dos links: https://livepix.gg/guerreirotetra ou https://www.vakinha.com.br/usuario/Dieguinho.
Acompanhe as lives do Guerreiro Tetra na Twitch (https://www.twitch.tv/guerreirotetra) e perfis nas redes sociais (@guerreirotetra).
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