Ditadura no Brasil: “Foi e sempre será golpe”, afirma historiador

Em 31 de março de 1964, tinha início, no Brasil, a ditadura militar. Durante 21 anos, o país viveu momentos de violência, censura e repressão.

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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Apesar do Ministério da Defesa ter divulgado uma nota em saudação ao período de ditadura militar no Brasil, não há nada que se possa comemorar. Foram 21 anos que causaram mortes, desaparecimento de pessoas, além da ausência da democracia e liberdade cultural e política, por exemplo. Tudo começou com a derrubara do então presidente João Goulart. Mesmo assim, o general Braga Netto alega que o movimento de 31 de março de 1964 é um marco histórico da evolução política brasileira, pois refletiu os anseios e as aspirações da população da época.

De acordo com o historiador Giancarlo Moser, depois de 58 anos, a lição que fica é que as instituições precisam ficar vigilantes quanto à democracia, a fim de que a Constituição seja mantida. "As pessoas que, na época, promoveram o golpe podem não estar mais fisicamente presentes, mas seus discípulos estão, hoje, no poder. Então ele é muito presente, também daqueles que sofreram perseguição ou foram mortos. Ainda temos pessoas que falam que foi um período de glória, gostam de elogiar torturadores, isso é muito preocupante. Para alguns, essa memória é uma época que deve ser revivida. Algo que devemos repudiar", destaca.

O período foi, segundo o professor, de muita censura, perseguição e violência. Os militares, por outro lado, tiveram uma posição muito clara no desenvolvimento do Brasil com grandes obras de infraestrutura, para o país chegar onde está hoje. No entanto, as vítimas deixadas pela ditadura minimiza todo e qualquer ponto positivo que se possa lembrar. "Muita gente chama de golpe porque é isso que aconteceu. Não tem outro nome para se dar. Quando se tira uma ordem institucionalizada, democrática e constitucional a base da força, é um golpe. Outros preferem tratar com termos mais simples ou eufemísticos, para demonstrar que não foi golpe. Dizem que foi reação ou contragolpe. Na verdade, foi, é e sempre será golpe", admite.

Além dos mortos e desaparecidos, outros milhares de brasileiros, sem muita escolha, optaram pelo exílio. Ao perderem o emprego, tentaram escapar da perseguição. O regime acabou quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido como Nova República.

Fonte: Rádio Cidade Tubarão

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