Operação Mensageiro: condenados podem pegar penas maiores em Santa Catarina

Ministério Público recorre após Justiça condenar sete réus por corrupção em Presidente Getúlio

Redação

Publicado em: 15 de abril de 2026

5 min.
Operação Mensageiro condenados podem pegar penas maiores em Santa Catarina. - Imagem gerada por IA

Operação Mensageiro condenados podem pegar penas maiores em Santa Catarina. - Imagem gerada por IA

A Justiça condenou sete pessoas por crimes investigados na Operação Mensageiro em Presidente Getúlio, no Vale do Itajaí. No entanto, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recorreu da decisão para tentar aumentar as penas aplicadas aos réus, apontando falhas no cálculo das condenações.

Os condenados incluem um ex-agente público e seis integrantes ligados à empresa investigada. Segundo o MPSC, a sentença não considerou corretamente agravantes e tratou crimes distintos como se fossem um único ato, o que teria reduzido o tempo total de prisão.

Entenda o que motivou o recurso do MPSC

De acordo com o Ministério Público, a decisão de primeira instância deixou de avaliar pontos relevantes que poderiam elevar as penas. Entre eles:

  • Uso de cargos públicos e influência profissional para cometer os crimes
  • Estrutura empresarial organizada para viabilizar o esquema
  • Objetivo de controlar contratos públicos e eliminar concorrência
  • Atuação contínua no pagamento de propinas

Além disso, o MPSC contesta o reconhecimento da chamada “continuidade delitiva”, quando vários crimes são tratados como um só. Para o órgão, cada pagamento de propina deve ser considerado um crime independente, o que pode aumentar significativamente as penas.

Valores e penas aplicadas aos condenados

O principal agente público do esquema, que atuava no Serviço Autônomo de Água e Esgoto do município, foi condenado a:

  • 29 anos e 10 meses de prisão
  • Multa equivalente a 37,6 salários mínimos da época
  • Devolução de R$ 382 mil recebidos em propina
  • Proibição de exercer função pública por oito anos após a pena

Já o líder do grupo empresarial recebeu:

  • 7 anos e 3 meses de reclusão
  • Multa de 26 salários mínimos

Os demais réus tiveram penas entre:

  • 2 anos e 5 meses a 6 anos e 5 meses de detenção
  • Multas de 1 a 7 salários mínimos

Por que o Ministério Público quer penas maiores

O recurso também aponta que a conduta dos envolvidos não pode ser considerada neutra, como entendeu a decisão inicial. Segundo o MPSC, os réus utilizaram influência, conhecimento técnico e redes de contato para sustentar o esquema de corrupção.

Outro ponto destacado é que os crimes não tinham apenas objetivo financeiro imediato. O grupo buscava manter domínio sobre contratos públicos e garantir vantagem no mercado.

O que acontece agora

O recurso apresentado pelo Ministério Público será analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). As defesas dos condenados também podem apresentar seus próprios recursos.

Até a decisão final, o caso segue em tramitação.

Relembre a Operação Mensageiro

Considerada a maior operação contra a corrupção já realizada em Santa Catarina, a Operação Mensageiro investiga um esquema envolvendo agentes públicos e empresários em diversos municípios.

Entre os principais pontos da investigação estão:

  • Pagamento de propinas para obtenção de contratos públicos
  • Atuação nos setores de coleta de lixo, água e iluminação pública
  • Envolvimento de prefeitos, servidores e empresários
  • Origem das investigações em delação premiada de 2021

A operação já teve diversas fases e segue em andamento, com novas ações e desdobramentos.


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