Vereadores de Criciúma se envolvem em polêmica durante debate na Câmara

Embates envolvem defensores de prefeito de Criciúma e do governador de Santa Catarina

Redação

Publicado em: 6 de agosto de 2026

9 min.
Vereadores de Criciúma se envolvem em polêmica durante debate na Câmara. - Foto: Divulgação

Vereadores de Criciúma se envolvem em polêmica durante debate na Câmara. - Foto: Divulgação

Vereador da base do governo e da oposição protagonizaram um novo embate durante os debates na Câmara de Criciúma. De um lado, Obadias Benones (PL) defendeu o papel de fiscalização do Legislativo e criticou a postura da base governista. Do outro, Marcos Machado (MDB) rebateu as críticas e afirmou que o prefeito Vaguinho vem sendo alvo de ataques pessoais durante as sessões.

A discussão envolveu declarações feitas anteriormente na tribuna, referências ao prefeito e até uma fala de Machado sobre “cachorros” ligados ao governador Jorginho Mello, que Benones interpretou como uma provocação à bancada do PL.

Benones defende fiscalização do Executivo

Obadias Benones afirmou que o papel dos vereadores é fiscalizar as ações do Poder Executivo, independentemente de o parlamentar integrar oposição ou situação.

Segundo ele, os questionamentos apresentados pela bancada do PL não têm como objetivo fazer ataques pessoais ao prefeito, mas discutir problemas relacionados à cidade.

“O papel, o ofício do vereador, você tem que fiscalizar. Isso independente se você tem lados de oposição ou lados de situação.”

O vereador também criticou a atuação da base governista e afirmou que, na avaliação dele, parte dos parlamentares estaria mais preocupada em proteger o governo do que em ampliar o debate no Legislativo.

“Se a gente não puder levantar para criticar, para apontar, para sugerir, fecha a casa.”

Benones defendeu que requerimentos e discussões em plenário são instrumentos utilizados pelos vereadores para exercer a fiscalização.

Vereador diz ter se sentido ofendido

Ao comentar o episódio ocorrido anteriormente na Câmara, Benones afirmou que se sentiu ofendido por uma declaração atribuída ao líder do governo.

O parlamentar disse que é pai de família, trabalhador e representa cerca de 2,7 mil votos em Criciúma. Na avaliação dele, o episódio ultrapassou os limites do debate político.

Benones também reconheceu que já utilizou uma expressão considerada ofensiva ao se referir ao prefeito. Ele afirmou ter chamado o chefe do Executivo de “mentiroso” em razão de um episódio que, segundo ele, foi posteriormente explicado em plenário.

O vereador declarou ainda que se retratou na sessão seguinte e pediu desculpas ao plenário e ao prefeito.

“No calor da emoção, no calor ali da discussão, você pode soltar algumas palavras que não cabem para o momento.”

Para Benones, o mesmo princípio deveria ser aplicado às declarações feitas por outros vereadores.

“Cachorrinhos” gera reação

Outro ponto do conflito foi uma declaração de Marcos Machado envolvendo a bancada do PL e o governador Jorginho Mello.

Benones afirmou que Machado teria utilizado a expressão “cachorrinhos do governador Jorginho Mello” para se referir aos integrantes do PL. Para o vereador, a fala não contribuiu para o debate parlamentar.

“Agora você partir para uma ofensa, falando que você é cachorrinho de fulano, cachorrinho daquilo, eu acho que não cabe.”

Benones disse ainda que mantém relações respeitosas com vereadores de diferentes posições políticas e defendeu que as divergências permaneçam dentro do debate legislativo.

Marcos Machado rebate críticas

Marcos Machado apresentou uma versão diferente sobre o episódio. Segundo ele, o ambiente na Câmara tem sido prejudicado porque alguns vereadores ainda não teriam deixado de lado as bandeiras partidárias.

Machado afirmou que o prefeito Vaguinho tem adotado uma postura de diálogo com diferentes setores políticos e citou a relação institucional com o governador Jorginho Mello.

“O prefeito Varginho nunca deixou de atender o governador Jorginho Mello na cidade, nunca deixou de discutir as pautas que envolvem o interesse dos Criciúmens de forma republicana e de forma democrática.”

O vereador também elogiou a atuação do presidente da Câmara, Neto Uggioni (PSDB), na tentativa de manter a harmonia entre os parlamentares.

Na sequência, Machado afirmou que o prefeito vem sendo alvo de críticas que, na avaliação dele, ultrapassariam a discussão sobre ações administrativas.

Machado cita críticas ao prefeito

Machado mencionou episódios anteriores em que o prefeito teria sido chamado de “mentiroso” na tribuna e afirmou que também houve questionamentos relacionados à honra pessoal do chefe do Executivo.

O vereador ainda contestou uma informação discutida na Câmara sobre um suposto gasto de R$ 500 mil para a gravação de um vídeo. Machado classificou a informação como falsa e disse que as críticas ao prefeito estariam assumindo caráter pessoal.

“As críticas, elas são pessoais, isso tem incomodado o convívio diário que nós temos nas segundas e nas terças-feiras.”

O parlamentar também afirmou que a gestão Vaguinho e do governador Jorginho Mello teriam índices elevados de aprovação.

Vereador nega ter chamado membros do PL de “cachorros”

Questionado especificamente sobre a interpretação de que teria chamado vereadores do PL de “cachorros”, Machado negou.

Segundo ele, a referência feita durante seu discurso estava relacionada ao mês de agosto e a uma recomendação dirigida ao governador Jorginho Mello sobre a vacinação de animais.

Machado afirmou que mencionou inclusive o nome de um cachorro e disse não ter citado nenhum vereador ou feito associação pejorativa com integrantes do Legislativo.

“Eu não mencionei o nome de vereador nenhum, não fiz qualquer tipo de ilação.”

O vereador acrescentou que a gravação do discurso poderia ser consultada para verificar o contexto da fala.

Machado também afirmou que a base do governo já teria sido chamada anteriormente de “cadelinhas do prefeito” e questionou a reação provocada por sua declaração.

Debate deve continuar na Câmara

Apesar do confronto, Benones afirmou que espera que a situação seja superada e que os vereadores voltem a concentrar as discussões nos problemas da cidade.

O parlamentar destacou que está no segundo mandato e defendeu a manutenção de uma relação respeitosa entre vereadores, mesmo diante de divergências políticas.

“O parlamento é isso.”

Benones reforçou que continuará exercendo o mandato com foco na fiscalização do Executivo.


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