Operação interestadual em SC e no RS mira lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e prende 26 pessoas

Investigações apontam que imóveis alugados em áreas nobres eram usados como depósitos de drogas

Redação

Publicado em: 11 de junho de 2026

6 min.
Operação interestadual mira lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e prende 26 pessoas em SC e no RS. - Foto: Divulgação/PCRS

Operação interestadual mira lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e prende 26 pessoas em SC e no RS. - Foto: Divulgação/PCRS

A Operação Apakani foi deflagrada nesta quinta-feira (11) como objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina integra a Operação Narke 6, coordenada nacionalmente pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Até o momento, 26 pessoas foram presas, além da apreensão de R$ 22 mil em dinheiro e uma arma de fogo. Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 21,3 milhões em recursos ilícitos por meio de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e operações financeiras destinadas a ocultar a origem do dinheiro.

Investigação começou após apreensão de 1,3 tonelada de maconha

As apurações tiveram início em 2023, após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha realizada pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro da Divisão de Investigações do Narcotráfico (DRLD/DINARC), em Canoas, no Rio Grande do Sul.

Durante a investigação, os policiais identificaram que a organização atuava na distribuição de cocaína, crack e maconha em larga escala, utilizando uma estrutura logística interestadual para transporte, armazenamento e comercialização dos entorpecentes.

De acordo com a Polícia Civil, imóveis alugados em áreas nobres de municípios gaúchos eram usados como depósitos de drogas para dificultar o rastreamento das operações.

Justiça autorizou dezenas de medidas cautelares

A operação foi autorizada pelo 2º Juízo da 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

Entre as medidas cumpridas estão:

  • 28 mandados de prisão preventiva;
  • 5 mandados de prisão temporária;
  • 58 mandados de busca e apreensão;
  • 58 bloqueios de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas;
  • 14 sequestros de veículos.

Além disso, durante a fase sigilosa da investigação foram realizadas 71 medidas cautelares, incluindo quebras de sigilos bancário, fiscal, financeiro e telemático.

Esquema utilizava empresas e movimentações financeiras complexas

Segundo a investigação, a organização criminosa utilizava diferentes estratégias para ocultar a origem dos recursos obtidos com o tráfico de drogas.

Entre os mecanismos identificados estão:

  • Fracionamento de depósitos;
  • Pulverização de valores em diversas contas;
  • Triangulação financeira;
  • Uso de contas de terceiros;
  • Contas de passagem;
  • Depósitos e saques rápidos;
  • Utilização de casas lotéricas e caixas eletrônicos.

As autoridades também identificaram 21 empresas ligadas ao esquema, localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Os valores vinculados a essas empresas foram alvo de medidas judiciais de indisponibilidade patrimonial.

Santa Catarina participou da operação

A Polícia Civil de Santa Catarina prestou apoio operacional à ação. No estado, foram mobilizados 50 policiais civis para o cumprimento de:

  • 5 mandados de prisão;
  • 7 mandados de busca e apreensão.

As diligências ocorreram nos municípios de:

  • Florianópolis;
  • São José;
  • Palhoça;
  • Criciúma;
  • Balneário Rincão.

Durante as buscas, os investigadores recolheram documentos e outros elementos considerados importantes para o aprofundamento das apurações.

Operação integra ação nacional contra o tráfico

A Operação Apakani faz parte da Operação Narke 6, iniciativa nacional voltada ao combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e às organizações criminosas.

Segundo os delegados responsáveis pela investigação, o principal objetivo é atingir a estrutura financeira da organização e responsabilizar lideranças, operadores financeiros e integrantes da logística do grupo.

O diretor do DENARC, delegado Carlos Henrique Wendt, destacou a importância da integração entre os órgãos de segurança para combater organizações criminosas que atuam em diferentes estados do país.


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