Avanço das mulheres na liderança trava no mundo e acende alerta

Estudo do LinkedIn mostra que crescimento da presença feminina em cargos executivos desacelerou desde 2022 no Brasil e no mundo

Redação

Publicado em: 6 de março de 2026

7 min.
Avanço das mulheres na liderança trava no mundo e acende alerta. - Imagem gerada por IA

Avanço das mulheres na liderança trava no mundo e acende alerta. - Imagem gerada por IA

O avanço das mulheres em cargos de liderança perdeu ritmo nos últimos anos, mesmo após uma década marcada por crescimento gradual da presença feminina no topo das empresas. A constatação é de um estudo divulgado pelo LinkedIn nesta sexta-feira (6), poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

O relatório “2026 State of Women in Leadership” aponta que, embora tenha havido ganhos estruturais desde 2015, a evolução praticamente estagnou desde 2022 tanto no Brasil quanto em outros países.

Atualmente, as mulheres representam 44% da força de trabalho global, mas ocupam apenas 31% dos cargos de liderança, considerando posições de vice-presidência e executivos do alto escalão.

Crescimento desacelera após anos de avanço

Os dados mostram que a presença feminina avançou de forma consistente ao longo da última década, mas perdeu força recentemente.

Veja a evolução global:

  • 2015: 27,9% das posições de liderança ocupadas por mulheres
  • 2022: 30,7%
  • 2025: 31%

Entre 2015 e 2022, o crescimento médio foi de 0,4 ponto percentual ao ano. Já entre 2022 e 2025, o aumento total foi de apenas 0,3 ponto percentual. No último ano analisado, o avanço foi mínimo: 0,1 ponto percentual.

Segundo o LinkedIn, o cenário atual indica desaceleração após um ciclo de progresso, e não necessariamente um retrocesso estrutural.

Brasil acompanha a tendência

No Brasil, o comportamento é semelhante ao observado no cenário global e apresenta números ligeiramente melhores.

Hoje, as mulheres representam 45,2% da força de trabalho brasileira, enquanto 32,2% das posições de liderança são ocupadas por elas.

A evolução no país ocorreu principalmente até 2022:

  • 2015: 29,0%
  • 2022: 32,2%
  • 2025: 32,2%

Na prática, isso significa que o crescimento parou nos últimos três anos, apesar do avanço acumulado de 3,2 pontos percentuais na última década.

Mulheres perdem espaço ao longo da carreira

O estudo também revela que o principal desafio não está no acesso das mulheres ao mercado de trabalho, mas sim na progressão dentro das empresas.

No Brasil, a presença feminina diminui conforme os cargos se tornam mais altos:

  • Entry-level: 47,8%
  • Profissionais experientes: 37,0%
  • Gerência inicial: 37,1%
  • Vice-presidência: 22,3%
  • C-level: 29,1%

O padrão indica que as barreiras aparecem ao longo da trajetória profissional e não apenas no topo da hierarquia corporativa.

País se aproxima de economias desenvolvidas

Mesmo com desafios, o Brasil apresenta índices semelhantes aos de várias economias desenvolvidas quando o assunto é presença feminina na liderança.

Comparação internacional:

  • Singapura: 35,5%
  • Estados Unidos: 34,6%
  • Austrália: 33,8%
  • Canadá: 32,7%
  • Brasil: 32,2%
  • França: 31,7%
  • Itália: 31,3%

Os países com maior equilíbrio de gênero na liderança superam 40% de participação feminina, como Finlândia, Filipinas e Jamaica.

Gerações mais jovens mostram mudança

Outro dado relevante do estudo é a diferença entre gerações. Quanto mais jovem o grupo analisado, maior é a presença feminina em posições de liderança.

No Brasil, os números mostram essa evolução:

  • Baby Boomers: 18,4%
  • Geração X: 27,4%
  • Millennials: 33,7%
  • Geração Z: 38,1%

O resultado indica uma transformação gradual no mercado de trabalho, ainda que desafios estruturais persistam ao longo da carreira.

Mais estudo não significa chegar ao topo

O relatório também aponta uma discrepância entre qualificação e acesso ao poder dentro das empresas.

No Brasil:

  • Mulheres com mestrado representam 50,2% da força de trabalho
  • Mas ocupam apenas 36,3% dos cargos de liderança

Globalmente, a diferença é ainda maior entre profissionais com doutorado.

Empreendedorismo cresce entre mulheres

Enquanto a ascensão corporativa desacelera, muitas mulheres têm encontrado espaço de liderança no empreendedorismo.

Hoje:

  • Quase 30% dos fundadores de empresas no mundo são mulheres
  • No Brasil, 29,5% dos founders são mulheres

O cargo de founder entrou pela primeira vez entre as profissões que mais crescem no ranking global do LinkedIn, indicando que muitas mulheres estão criando seus próprios caminhos de liderança.

Como o estudo foi feito

O relatório “2026 State of Women in Leadership” foi elaborado a partir de dados agregados e anonimizados de perfis do LinkedIn, analisando a evolução da presença feminina em cargos de liderança entre 2015 e 2025 em diversos países, incluindo o Brasil.


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