Petróleo dispara mais de 100% e gasolina pode explodir no Brasil

Escalada do petróleo após ataques no Irã pressiona inflação, pode adiar corte da Selic e levar a reajustes nos combustíveis

Redação

Publicado em: 9 de março de 2026

6 min.
Petróleo dispara mais de 100% e gasolina pode explodir no Brasil. - Foto: Canva

Petróleo dispara mais de 100% e gasolina pode explodir no Brasil. - Foto: Canva

A disparada do preço do petróleo no mercado internacional após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã acendeu um alerta global — e também no Brasil. A commodity já acumula alta de 35% na última semana e mais de 100% desde dezembro de 2025, o que pode impactar diretamente o preço da gasolina e pressionar a inflação no país.

O movimento já provocou reações nos mercados financeiros. Bolsas asiáticas registraram quedas próximas de 6%, enquanto as bolsas europeias operam em forte baixa nesta segunda-feira (9). No Brasil, os efeitos ainda são considerados mais moderados, mas especialistas afirmam que os impactos podem chegar ao bolso do consumidor.

Gasolina pode ficar mais cara no Brasil

Segundo economistas a tendência é de que os combustíveis sofram pressão de alta caso o conflito no Oriente Médio continue. O petróleo mais caro não afeta apenas a gasolina.

Entre os setores impactados estão:

  • combustíveis automotivos;
  • fertilizantes usados na agricultura;
  • querosene de aviação;
  • gás de cozinha;
  • indústria plástica e petroquímica.

Com isso, o efeito pode se espalhar pela economia e pressionar o índice de inflação. Esse cenário também pode influenciar a política monetária do país.

Petróleo caro pode adiar queda dos juros

O mercado financeiro brasileiro aguarda há meses um corte na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, patamar mantido desde julho de 2025.

No entanto, caso a alta do petróleo provoque aumento da inflação, o Banco Central pode adiar ou reduzir o ritmo da queda dos juros.

Se o conflito persistir, o Banco Central pode optar por reduções menores da Selic, frustrando parte das expectativas do mercado.

Petrobras pode aumentar preços

Outro efeito possível da alta do petróleo é um reajuste nos combustíveis pela Petrobras.

Se o barril subir cerca de US$ 10, a estatal pode elevar os preços e aumentar significativamente sua receita.

A estimativa é que o faturamento da empresa possa crescer entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões.

Nesse caso, há um dilema para o governo:

  • Repassar a alta ao consumidor, elevando a inflação;
  • Segurar os preços, mas abrir mão de parte da receita da estatal.

Como a União é a principal acionista da Petrobras, dividendos maiores também significariam mais recursos para o governo.

Petróleo caro também tem efeito positivo para o Brasil

Apesar dos riscos, o Brasil também pode se beneficiar da alta da commodity.

Isso acontece porque o país é exportador de petróleo. Com preços mais elevados no mercado internacional:

  • entram mais dólares na economia;
  • melhora o saldo da balança comercial;
  • aumenta a receita do setor petrolífero.

Ainda assim, especialistas lembram que o país importa parte dos derivados, o que pode encarecer produtos essenciais no mercado interno.

Endividamento e pressão na economia

O cenário preocupa em um momento em que empresas e consumidores já enfrentam juros elevados.

Dados do Banco Central mostram que a inadimplência em empréstimos com recursos livres chegou a 5,5% em janeiro, o maior nível desde 2017.

No setor produtivo, o agronegócio também sente o impacto. Segundo a Serasa Experian, empresas do agro registraram 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4%.

Com juros altos e incertezas internacionais, investimentos podem continuar represados tanto para empresas quanto para pessoas físicas.


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