Projeto que permite expor criminosos em lojas avança no Congresso

O projeto também determina que o estabelecimento que divulgar as imagens deverá registrar boletim de ocorrência

Eduardo Fogaça

Publicado em: 19 de março de 2026

5 min.
Projeto que permite expor criminosos em lojas avança no Congresso. Foto: Câmara de Deputados

Projeto que permite expor criminosos em lojas avança no Congresso. Foto: Câmara de Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17) o Projeto de Lei 3630/25, que permite a estabelecimentos comerciais divulgar imagens e áudios de pessoas flagradas cometendo crimes em seus espaços. A proposta segue agora para análise do Senado.

De autoria da deputada Bia Kicis (PL-DF), o texto foi aprovado na forma de substitutivo apresentado pelo relator, deputado Sanderson (PL-RS), e altera a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para autorizar esse tipo de divulgação em situações específicas.

Quando a divulgação será permitida

De acordo com o projeto, a exposição de imagens deverá cumprir critérios claros. A divulgação só será autorizada quando tiver como objetivo:

  • Identificar o infrator;
  • Alertar a população;
  • Colaborar com autoridades públicas.

Além disso, o texto estabelece limites para evitar abusos:

  • Não poderá expor terceiros que não tenham relação com o crime;
  • Deve respeitar, sempre que possível, os princípios de necessidade e proporcionalidade previstos na LGPD.

Regras e responsabilidades para comerciantes

O projeto também determina que o estabelecimento que divulgar as imagens deverá registrar boletim de ocorrência. Caso haja divulgação indevida — como imagens falsas ou distorcidas —, o responsável poderá ser responsabilizado judicialmente.

Argumentos a favor da proposta

O relator, deputado Sanderson, defendeu que direitos como privacidade e proteção de dados não são absolutos e precisam ser equilibrados com outros valores constitucionais, como a segurança pública.

Segundo ele, a medida traz benefícios como:

  • Reforço à segurança pública;
  • Maior segurança jurídica para comerciantes;
  • Apoio à identificação de criminosos.

“A autorização restrita e condicionada contribui para a proteção da coletividade e para a prevenção de crimes”, afirmou.

A autora do projeto, Bia Kicis, destacou ainda que a proposta pode ajudar a combater crimes contra mulheres em ambientes como academias e outros estabelecimentos comerciais.

Debate divide opiniões no plenário

A proposta gerou divergências entre os parlamentares. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) defendeu a medida, afirmando que a divulgação da imagem pode ajudar na captura de criminosos.

Já o deputado Sargento Fahur (PL-PR) argumentou que a exposição pública pode ter efeito inibidor sobre crimes como furtos.

Por outro lado, o deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) criticou o projeto, apontando riscos à presunção de inocência e possíveis injustiças.

Segundo ele, a proposta pode estimular práticas como:

  • Julgamentos precipitados;
  • Linchamentos virtuais;
  • Discriminação, especialmente em contextos sociais desiguais.

Próximos passos

Com a aprovação na Câmara, o texto segue agora para o Senado Federal. Caso seja aprovado sem alterações, o projeto será encaminhado para sanção presidencial.


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