Câmara aprova PL Antifacção e texto vai à sanção presidencial

O projeto foi elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encaminhado ao Congresso Nacional no início de novembro do ano passado

Eduardo Fogaça

Publicado em: 25 de fevereiro de 2026

5 min.
O projeto foi elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional no início de novembro do ano passado. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O projeto foi elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional no início de novembro do ano passado. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (24), o Projeto de Lei Antifacção, que endurece regras contra organizações criminosas no país. Em votação simbólica, o plenário rejeitou as mudanças feitas pelo Senado e retomou, em grande parte, o texto originalmente aprovado pelos deputados. A proposta agora segue para sanção presidencial.

O projeto foi elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional no início de novembro do ano passado. A tramitação foi marcada por divergências entre governo e relator.

O que muda com o PL Antifacção

O texto aprovado pela Câmara restabelece pontos que haviam sido modificados pelos senadores. Entre os principais trechos retomados estão:

  • Divisão de bens apreendidos: recursos e valores confiscados em operações conjuntas deverão ser divididos igualmente entre o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Estadual de Segurança Pública.
  • Organização criminosa ultraviolenta: o termo volta ao texto, reforçando a caracterização de grupos com alto grau de violência.
  • Domínio social estruturado: recriação do tipo penal que havia sido retirado pelo Senado.
  • Pena-base ampliada: as penas para determinados crimes podem chegar a até 40 anos.
  • Corte do auxílio-reclusão: suspensão do benefício para familiares de líderes de facções.
  • Restrição ao voto: limitação do direito de voto para presos envolvidos em organizações criminosas.
  • Cumprimento de pena: líderes de facções deverão cumprir pena exclusivamente em presídios federais de segurança máxima.

O relator da proposta, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou parecer para recompor o texto da Câmara. Ele criticou as alterações promovidas pelo Senado, especialmente na divisão dos recursos apreendidos.

Cide-Bets fica para projeto separado

Um dos pontos incluídos pelo relator foi a criação da Cide-Bets, contribuição incidente sobre apostas esportivas, destinada ao financiamento da segurança pública.

No entanto, o plenário aprovou destaque que retira esse trecho do projeto principal. A cobrança sobre apostas será analisada em uma proposta autônoma.

Tramitação gerou tensão política

A escolha de Guilherme Derrite como relator gerou insatisfação entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ele ser ligado ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

Durante a primeira fase de tramitação, o governo orientou voto contrário à versão apresentada na Câmara, apesar de ter sido o autor do projeto. Entre os pontos mais criticados por governistas estavam:

  • A criação do tipo penal de “domínio social estruturado”.
  • A destinação de recursos apreendidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública, e não ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad).

Com a aprovação na Câmara e o envio à sanção presidencial, caberá agora ao presidente decidir pela sanção integral ou eventual veto a trechos da proposta.


FIQUE BEM INFORMADO:
📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.



× SCTODODIA Rádios